Casino de Sevilla – Idolatrada há 197 anos

Publicado em: 19/08/2007

Quando – em Laguna – o Cine Teatro Mussi abriu suas portas para receber a fabulosa Orquestra de Espetáculos Casino de Sevilla, começava um imenso amor catarinense pela sua impecável forma de apresentação e a geração de uma legião de fãs.

Ela nascera predestinada a arrancar aplausos, pelo entusiasmo de uma família (Muixins) natural de um minúsculo ponto da Cataluña, a 22 km de Barcelona (nordeste da Espanha), chamado Sabadell, cidade de 200.000 habitantes (hoje), terra do piloto de Fórmula 1 Marc Gene (equipes Minardi, Williams, atualmente (de testes) na Ferrari). Em 1810 (há quem afirme ter sido fundada em 1852), nasceu a orquestra com o nome de FATXENDES, com seus integrantes variando entre 10 e 11 exímios músicos até os dias presentes, como Casino de Sevilla.

Patrocinada pela Cobrazil (empresa ligada ao Porto de Laguna), a Difusora fez completa cobertura dessa primeira apresentação, na voz de Ariovaldo Machado, em 1954. Seu Maestro, Pio Torrencillas; seus cantores de então, Pedro da Silva (argentino de nascimento, que viria a ser substituído pelo espanhol Alberto Del Monte ) e José Maria Madrid.

Quando chegou ao Brasil, contratada por Assis Chateaubriand (Rede Tupi/Diários Associados), marcou presença no 4º Centenário de São Paulo. O pós-guerra na Europa trouxe sérias dificuldades a grupos artísticos. Assim que, em 1950, a Fatxenes deixava seu berço natal para conquistar a admiração do mundo.
Sua primeira escala seria Madrid (16/02/50), onde embarcaria num Constelation da KLM (holandesa) com escalas em Amsterdã, Glasgow, Sander e Montreal, tendo como destino inicial Havana, Cuba, onde cumpriria exitosa temporada na casa de espetáculos Sans Souci.
Em 1953 chegaria a Casino em Viña Del Mar, Chile, onde outra temporada de sucesso a esperava. E foi depois de Viña del Mar que ela viria para São Paulo e Rio de Janeiro (onde se estabilizou até hoje).

Em Laguna a Orquestra Casino de Sevilla é simplesmente idolatrada pelos que a ouviram e conheceram nos anos 50. Seus impecáveis músicos mantêm a tradição do grupo em todos os momentos dos espetáculos: a troca de garbosos uniformes se faz de três a quatro vezes a cada apresentação. São algo infinitamente sublime o som e o repertório dessa orquestra. A amizade brasileira levou o maestro Pio Torrencillas a fazer os mais belos arranjos de temas nossos como “Ave Maria”, na voz de Del Monte.

Depois de sua primeira visita a Laguna, outras três aconteceram: no  Clube Blondin, auditório da ZYH-6, e Clube Congresso Lagunense – e nestas vezes tivemos a honra de apresentá-la, já que o Ariovaldo havia retornado a Criciúma (1955).

A sede atual da Casino de Sevilla é a cidade do Rio de Janeiro, porém ela é sempre aquela lendária orquestra que nasceu para estar em toda parte. Sua existência é uma honra para a arte musical de todo mundo, e exemplo de perseverança, capricho e muita tradição preservada em sua
longa existência.

(Dedico esta narrativa ao estudioso da trajetória da Casino de Sevilla, Jaune Nonell, jornalista, escritor e historiador de Sabadell, Espanha, e à memória de seu maestro Pio Torrencillas, cantores e músicos, dos quais apenas um resta vivo, curtindo a recordação dos aplausos mundiais que recebeu, radicado na Espanha).


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