Causos do nosso Papo Livre – 02

Publicado em: 04/05/2008

E chegou a hora do nosso papo livre para eu contar causos pra vocês. Freqüentemente me pedem para fazer comparações entre o Rádio dos velhos tempos e o dos dias atuais. Eu gosto de dizer, brincando, que não era melhor, nem pior; era diferente.
 Por Ubiratan Lustosa

Como comparar duas coisas assim distintas? Para começar, não havia cursos de comunicação em nossas faculdades. A maioria dos radialistas era composta de estudantes de Direito, de Medicina, de Engenharia. Pode-se dizer que em Rádio éramos amadores. Bons amadores. A gente fazia o que os mais antigos nos ensinavam e o que nos ditava o instinto.
A programação das Rádios era eclética, e os locutores antigos faziam de tudo um pouco. Naqueles tempos não havia os recursos de agora. Não havia telefone celular, computador, Internet, satélites artificiais.
Os gravadores eram enormes e pesadíssimos, os microfones também eram grandalhões. Superávamos as deficiências da época com talento, dedicação, entusiasmo, o amor pelo que fazíamos e, assim, fazíamos um bom trabalho. Muitas notícias de fora eram obtidas através da rádio escuta, sintonizando as ondas curtas das emissoras do Brasil e do Exterior.
Pra vocês terem uma idéia, o som dos estúdios era enviado para os transmissores por linha telefônica e o serviço telefônico não tinha a qualidade de agora. No início dos anos 1950, algumas vezes fiz companhia ao técnico da Rádio Marumby, Herbert Rüllei, para desembaraçar as linhas. Quando havia vendavais os fios se enrolavam e a Rádio saia do ar. Como a Companhia Telefônica demorava em fazer os reparos, já que havia excesso de pedidos de consertos, o técnico ia com uma vara de bambu desembaraçar os fios.
E se me perguntam se ainda me emociono ao atuar em Rádio, respondo prontamente:
– Claro que sim. Quem gosta do que faz sempre se emociona. Quem não se emociona ao atuar não alcança tudo o que pode, não dá tudo de si e também não produz coisas emocionantes.
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