Causos do nosso Papo Livre – 01

Publicado em: 27/04/2008

O Nuno Roland, cantor da Rádio Nacional do Rio de Janeiro desde a fundação daquela Emissora, foi um dos grandes amigos que tive e cuja partida eu lamentei muito. Ele morreu em dezembro de 1.975. Seu nome era Reinold Correia de Oliveira.
Por Ubiratan Lustosa  

Nuno Roland era catarinense de Joinville e ainda usava calça curta quando começou a tocar caixa e tarol na banda da cidade paranaense de Teixeira Soares. Com 13 anos, mudou-se para Porto União, em Santa Catarina , onde trabalhou como balconista, telegrafista e bancário.
Depois, ele foi morar em Passo Fundo , no Rio Grande do Sul e na Revolução de 1932 alistou-se como voluntário no glorioso “7º. Batalhão de Caçadores” de Porto Alegre e com sua tropa seguiu para São Paulo. Eu ria muito quando ele me contava essas aventuras.
Nessa ocasião, Nuno começou uma grande amizade com outro soldado cujo nome era… Lupicínio Rodrigues. Vejam só! Durante a viagem, juntos cantavam sambas e algumas composições de Lupicínio, então um simples desconhecido. No retorno, Lupicínio Rodrigues, que era o crooner do Jazz-Band do Batalhão, resolveu deixar a farda e passou o seu lugar para o Nuno Roland, e aí começou a carreira de cantor do meu saudoso amigo.
Depois disso, ele atuou na Rádio Gaúcha, Rádio Record de São Paulo, Rádio Educadora Paulista, tornando-se logo um dos grandes cantores da paulicéia. Em 1.936 foi para a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, participando do elenco pioneiro desde a inauguração da Emissora de onde jamais se desligou.
Lembro de alguns sucessos de carnaval do Nuno Roland: Pirata da Perna de Pau, Tem Gato na Tuba, Tem Marujo no Samba (que gravou com Emilinha Borba), Lobo Mau e Lancha Nova. Gravou muitas composições não carnavalescas como Fim de Semana em Paquetá, Senhor da Floresta, Camboriú, de Radamés Gnattali e Alberto Paes.
Faleceu antes de gravar a música que lançou com a Grande Orquestra da Rádio Nacional, Curitiba Cidade Sorriso, música de Radamés Gnattali e letra de minha autoria. Houve época em que Nuno foi chamado o “rei das noites cariocas”. Quando ficamos amigos, ele já era abstêmio, e quando almoçávamos juntos, ele, Mário Vendramel, Moacir Amaral, Sérgio Fraga e eu, a gente ria porque para matar saudade ele aspirava o aroma das nossas caipirinhas. Nos anos 60, Nuno formou com Albertinho Fortuna e Paulo Tapajós, o Trio Melodia.
Nuno Roland, um dos grandes cantores da era de ouro do Rádio, era um homem leal, grande artista, grande amigo de quem a gente sente saudade.
Esse nosso papo livre é reproduzido no site www.carosouvintes.org.br
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