Causos do Rádio Esportivo – 1

Publicado em: 21/10/2007

O rádio esportivo brasileiro tem causos para serem contados ou lembrados.
Quando subo pro escritório e ligo o computador me passam mil e um fatos vividos e presenciados ao longo desses 43 anos que estou no meio.
Por Edemar Annuseck 
Inspiração
E o nosso grande Antunes Severo me inspira cada vez mais a voltar ao passado; a mexer com a “massa cinzenta” e a recordar o que aconteceu desde o primeiro instante em que me foquei definitivamente neste veículo extraordinário que é o rádio. Aliás, como diz o compadre Willy Fritz Gonser, que aniversariou no último dia 13 : gostar de rádio, e muito, é vital para o sucesso na carreira.
Por etapas
A transmissão de futebol em off-tube (tubão), substitui hoje a “dublagem” que se fazia há décadas no rádio esportivo brasileiro. Depois de uma transmissão lá por 1978 no Maracanã, saí para jantar com Willy Gonser e com Geraldo Borges, famoso no rádio e imprensa do Rio. Foi uma noite maravilhosa que terminou lá pelas três da manhã. O assunto do jantar : o rádio e seus causos.
Geraldo Borges contou que nos tempos da Emissora Continental a 100% esportiva, tinha transmissão todos os dias. E não era jogo só do eixo Rio-São Paulo. A emissora transmitia jogos de qualquer cidade brasileira e mesmo do exterior.
Não tem jogo !
Na época existiam especialistas em dublar as transmissões esportivas.
Lá por 1962 o SC Internacional jogaria numa noite de terça-feira no estádio dos Eucaliptos em Porto Alegre contra o Argentinos Juniors, que mais tarde revelaria Diego Armando Maradona. O locutor posicionou-se no estúdio da Continental, para dublar a transmissão da Rádio Farroupilha de Porto Alegre. Mas, naquela noite estava difícil sintonizar a emissora. O Operador Técnico tentou de todas as formas, e, nada. As 20h57 o locutor resolveu iniciar a Jornada Esportiva. Informou a escalação das equipes (que tinha recortado do jornal) e as 21 horas, iniciou a transmissão do jogo. Do outro lado o operador fazia sinal de que não estava conseguindo ainda, sintonizar a Farroupilha. Passados os primeiros 12 minutos da transmissão, finalmente o som vindo de Porto Alegre, é captado. Um papel é colocado no vidro do estúdio para que o locutor pudesse ler. Ele lê, olha para os lados, imposta a voz e manda bala : senhoras e senhores, está chovendo muito na capital gaúcha; por este motivo o jogo foi transferido para amanhã. Boa noite.
Sem microfone
Quando iniciei no rádio (1964) existiam as Emissoras Coligadas de Santa Catarina com rádios em Blumenau, Gaspar, Brusque, e, Itajaí. Na primeira vez que fui transmitir um jogo em Brusque, no estádio Augusto Bauer, jogaram Clube Atlético Carlos Renaux e  Grêmio Esportivo Olímpico. As cabines de rádio eram localizadas na arquibancada coberta e com pouco espaço. Levei um susto quando iniciando a transmissão ouvi um locutor falando tão alto, mas tão alto que sua voz entrava pelo meu microfone. Era o J. Duarte da Rádio Araguaia de Brusque, grande profissional que tinha como comentarista Celso Teixeira, um dos ícones do rádio e do jornalismo da cidade. A voz estridente do J.Duarte ecoava por todo estádio e nas transmissões das outras emissoras também. Os gozadores da época diziam que quando o J.Duarte transmitia não precisava de microfone. A Rádio Araguaia ficava a uns 200 metros do estádio.
Grito de gol forçado
Nos tempos do CA Tupi, a Rádio Clube de Gaspar, atual Sentinela do Vale, transmitia os jogos com Evilásio Silva, o Sabão, ex-jogador do clube, que teve passagem pela Rádio Nereu Ramos. Na transmissão de uma goleada do Tupi sobre o Baependi de Jaraguá do Sul, o Sabão esguelava-se cada vez que o Tupi marcava.
No jogo de volta em Jaraguá do Sul o Baependi deu o troco, também goleando.
Colocaram o Sabão para transmitir o jogo na pista de atletismo do estádio num banco junto o alambrado. Surge o primeiro gol do Baependi; Sabão esboça um grito normal de gol sem muita vibração quando um torcedor apertando  uma “peixeira” na suas costas vai dizendo : grita aí, grita aí. E o Sabão teve que  atender o pedido do fanático, para evitar maiores problemas.
Desculpe, foi engano !
E pra fechar uma de Ari Barroso.
Ele transmitia uma partida no Maracanã na estréia do seu grande amigo Isaac na reportagem-volante.
Chamou seu amigo que estava falando pela primeira vez em sua vida no rádio.
– Alô Isaac ! gritou Ari Barroso
– Quem fala ? Com quem quer falar ? perguntou Isaac com voz de telefonema.
– E Ari irritadíssimo…
– Desculpe, é engano, eu disquei errado.
Semana que vem tem mais !
 


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2 respostas
  1. Luiz de Paula Naves says:

    Trabalhei no rádio esportivo do Rio de Janeiro, justamente quando a Emissora Continental, 100% esportiva, com um slogan jamais esquecido: “os Comandos Continental usam carros Dogde porque não podem parar nem falhar”, era a dona absoluta do pedaço. A maioria dos nomes do rádio esportivo que fizeram fama no Rio passou pela Continental. Halmalo Silva, Raimundo Mendonça, Alfredo Raimundo, Carlos Marcondes, Jorge de Souza, Teixeira Haizer (ainda em atividade e brilhante!) Luiz Fernando, Ruy Porto e dezenas de outros nomes brilhantes. A Continental transmitia ate a disputa de cuspe à distância. No jornalismo Carlos Palut, ícone no segmento, deixou uma escola de radio-jornalismo. Esse jamais será superado. Presenciei e participei também de fatos inusitados. Se o colega se interessar, posso passá-los para o seu arquivo de “Causos do Rádio Esportivo”, por sinal de excelente qualidade (o seu arquivo).

  2. Luiz de Paula Naves says:

    Esta história é atribuída ao saudoso Ubirajara Ramos, um dos maiores nomes do rádio do antigo Estado do Rio de Janeiro. Jogavam em Barra Mansa, Americano, de Campos e o clube local, o famoso Leão do Sul. A Emissora Continental de Campos o contratou para transmitir a partida, considerada o maior clássico fluminense. Acontece que a Continental não chegava ao sul fluminense e o retorno da linha de som havia pifado, logo que a transmissão
    começou. O Bira Ramos transmitiu todo o jogo, sob sol escaldante (não havia cabine) e quando anunciou,ao final, o comentarista Álvaro Mattos,foi restabelecido o retorno, com a informação de que a rádio não transmitira o jogo por falta de energia nos seus transmissores. Resultado: não teve jogo, não teve cachê. “Pelos menos a água mineral que consumi durante duas horas poderia ter sido indenizada” ironizava Bira, bem humorado, sempre que contava o episódio.

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