Celebração ao Rádio

Publicado em: 29/11/2009

Soares Júnior*

Não adianta reclamarem, vou jogar às favas a objetividade, o assunto aqui é paixão. Dos 8 aos 15 anos eu só ia para cama ouvindo rádio. Era assim, uma garrafa de fanta uva gelada e ouvido na “caixinha”. Minha paixão por televisão foi posterior, mas primeiro e insubstituível foi minha paixão pelo rádio.

Sou capaz de cantar dois jingles que muitos talvez nem lembrem. Por exemplo, “Roberto Figueiredo, com muito amor” ou “É Gilberto Lima, É Gilberto Lima, alô Rio, alô”. Desde cedo apaixonado pelo nobre esporte bretão, adorava ouvir Paulo Giovanni e Afonso Soares falando de futebol no “Não perca a esportiva”. Ouvir o “Bom dia do Haroldo de Andrade” remete à infância. Lembro-me do choque que sofri ao saber da morte de Valdir Vieira e de Gilberto Lima, já citado.

Não falo do apogeu radiofônico dos anos 50, falo do fim dos anos 70 e começo dos 80. Aos leitores mais novos aviso, já havia TV à cores, Manoel Carlos já fazia novela e o Flamengo era o grande time do país. ( como se vê, as coisas parecem não ter mudado).

O motivo deste imenso “nariz-de-cêra” é para homenagear meu amigo Ruy Jobim e seu “quarto” filho: a Escola de Rádio. A quarta-feira, 25 de novembro de 2009 tem que ficar marcada como o dia em que a auto-estima do rádio voltou. Foi realizada a primeira edição do prêmio Escola de Rádio. Pessoas apaixonadas pelo rádio se dirigiram ao Teatro Carlos Gomes para celebrar essa “religião”.

O grande homenageado da noite foi Luiz Mendes. O gaúcho com mais de 60 anos de profissão ganhou o troféu Haroldo de Andrade. Chamar o Mendes de mestre já virou lugar comum. Para render minha homenagem fico com o testemunho da minha mulher. Luiz Mendes caminhava com o auxílio de uma bengala, ao pronunciar a primeira palavra, ela se virou para mim e encantada disse: “que vozeirão bonito, ela não envelheceu”.

Não envelheceram nem Luiz Mendes, nem o rádio e nem a paixão que esse veículo desperta. Além de Mendes, Francisco Barbosa e Luis Santoro, havia jovens como Tino Júnior, da Beat 98, Viviane Tenório, da FM O Dia, ou os geniais e irreverentes rapazes do Rock Bola.

Aos incrédulos que apregoam a morte do rádio, as 400 pessoas da platéia e a baixa faixa etária dela servem como resposta. Obrigado Ruy, sua companheira de luta, Cris, pela oportunidade de cultuar um velho e grande amor: o RÁDIO.

*Jornalista desde 1996. Depois de passagens pela TV Bandeirantes e Rádio Tupi ingressou na rádio CBN. Durante os 9 anos no Sistema Globo de Rádio, ele apresentou e redigiu O Globo no Ar, fez cobertura aérea de trânsito, ancorou e foi chefe de reportagem. Soares Júnior é professor da PUC e da Escola de Rádio, no Rio de Janeiro.

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