Celebridades de ocasião

Publicado em: 25/07/2014

Quando a televisão começou a transmitir suas primeiras imagens em Curitiba, a maioria dos comerciais era ao vivo. Havia dificuldade para revelar filmes que eram em preto e branco e mudos; não havia gravadores de VT, o que dificultava a vida dos publicitários. A vivo, em preto e branco, com a garota-propaganda, decorando um texto e recitando em frente a uma câmera parada e nenhuma ilustração, ou uma rápida passada pelo objeto do comercial, quando isso era possível.

A necessidade de fazer comerciais ao vivo propiciou o aparecimento de muitos garotos e garotas-propaganda no vídeo.

Alguns profissionais do ramo com certa facilidade para decorar textos e interpretar com graça e firmeza nos intervalos comerciais. Atores e atrizes, raramente (ou quase nunca) apareciam fazendo comerciais. Estes preferiam se resguardar do desgaste de aparições frequentes no vídeo e preferiam surgir apenas nos teatros, novelas e outros espetáculos para um publico presente. Os apresentadores de telejornais e outros programas eram os mais requisitados para os comerciais, ao lado de locutores de rádio que emprestavam certo charme, com boa modulação de vozes fortes, graves anunciando produtos.

Mas, no meio de tanta gente experiente, surgiam os próprios comerciantes que anunciavam na TV, ou seus parentes e protegidos que estavam sempre em busca de um estrelato que dificilmente poderiam atingir com o pobre talento que possuíam. Assim, o vídeo era disputado por profissionais e algumas celebridades de ocasião que passavam pela TV como nuvens de chuva pelo céu.

Não era raro, comerciante pedir para aparecer no próprio comercial na telinha. Muitos queriam ficar famosos a qualquer preço e como estavam pagando pelo espaço, conseguiam “uma carona”, muitas vezes, sem jeito para a arte de comunicar e fazendo um papel (ridículo) mas, que atendia seus desejos de aparecer na televisão e ser reconhecido pelos vizinhos e clientes.

Quem pensa que isso é coisa do passado, não deve ter prestado atenção em certos “propagandistas” que aparecem nos intervalos comerciais, declamando alguns textos e fazendo esforço para parecer simpático e convencer alguém a comprar o produto anunciado.

Falam mal, gesticulam pior, interpretam pessimamente. Para eles, presume-se, tudo isso não tem importância. O que importa mesmo, é aparecer, ser reconhecido como uma ” celebridade” no bairro. Geralmente são pequenos anunciantes que vivem o sonho de ser um astro na telinha. Utilizam as verbas publicitarias para “vender seus produtos” e tornar a cara mais conhecida na comunidade. A filha do dono do mercadinho, o gerente da farmácia, o chefe dos vendedores da ótica, o dono da imobiliária e tantos outros que surgiram, se tornaram conhecidos, mas, nenhum deles conseguiu engrenar uma carreira fora do balcão da loja.

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