Celebridades e mediocridades

Publicado em: 22/02/2012

Alguém disse, não sei quando nem  lembro quem: pobre do país que precisa de heróis*. Foi uma voz de passado muito distante que se ouviu. Nos dias atuais cabe bem algo semelhante: pobre da televisão que vive a cata de celebridades. Procuram em toda parte; no elenco de novelas, nos programas de auditório, nos campos de futebol e quando não encontram “fabricam” celebridades de toda espécie. Bandidos, assassinos, traficantes entram no cardápio das celebridades produzidas pela televisão. Alguns deles ficaram durante muito tempo no destaque dos noticiários. Em  todos os horários, la estava o bandido como notícia principal: “o traficante tal foi transferido de Bangu para Catanduva, o bandido tal viajou em avião do governo para fazer depoimento  no Rio de Janeiro e amanha volta para o presídio. Coisas assim são corriqueiras no noticiário da TV.

A mais recente celebridade produzida  é Lindemberg Alves, um motoboy que matou a namorada. Nunca se viu cobertura mais detalhada e insistente de um júri como esse. Mostraram em detalhes, como foi o crime, como o assassino foi transferido em carro da polícia seguido pelas câmeras até o Fórum da cidade.

Não esqueceram de nada. Os repórteres entravam a todo instante em longas reportagens, em todos os telejornais, como se estivessem cobrindo o julgamento de uma celebridade mundial que matou outra celebridade, alguma coisa assim como se o Pelé desse um tiro no Neymar.

Pobre televisão, pobre de quase tudo, ao ponto de precisar fazer de um assassino uma celebridade. Estamos vivendo a era da mediocridade absoluta que atinge vários setores da atividade humana neste abençoado e maltratado país. Oremos.

* Foi o dramaturgo alemão Bertolt Brecht

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