Célio Romais: o andarilho das ondas do rádio

Publicado em: 12/08/2007

Mais do que apaixonado por rádio, Célio Romais vive o rádio. E o mais curioso: vive o rádio sem fazer rádio, sem ser radialista, embora tenha trabalhado em rádio também. Ouve rádio de manhã, de tarde, de noite, todos os dias. E faz isso com uma grande alegria.
Da Redação

Pois este é o seu hobby. Aliás, mais do que hobby, anda perto da devoção. Caros Ouvintes com esta matéria trás para o leitor um outro lado deste fantástico recurso que nós recém estamos começando a conhecer: Sua Majestade o Rádio.
Em algumas cidades do Brasil o rádio em ondas médias e em freqüência modulada ainda não chegou. Você pode perguntar: tal ocorre apenas no interior do Amazonas ou Acre? Engano! Até na próspera região Sudeste existem localidades sem suas estações.
É o caso da cidade onde cresci, Pancas, no interior do Espírito Santo. Lá, o som da Rádio Aparecida, na minha infância, ecoava em robustos receptores analógicos de mesa, os famosos “rádios de cabeceira”. A maioria deles tinha a marca Sonorous, já que a Rádio Aparecida irradiava os anúncios comerciais da marca incessantemente. Muitos eram adquiridos na loja Eletropan, de Pancas (ES), ou na Casa do Anzol, de Colatina (ES).
De origem pomerana, o ideal seria acompanhar programas evangélicos. Era o que ocorria em casa, onde meu pai ouvia, num receptor Transcap, a programação, em língua alemã, das rádios Transmundial, de Bonaire, nas Antilhas Holandesas, e HCJB – A Voz dos Andes, de Quito, no Equador. No entanto, desde cedo, aprendi que o rádio transpõe fronteiras religiosas, políticas e culturais. Ao mesmo tempo em que era ouvinte das estações religiosas evangélicas, meu pai também acompanha os noticiários da Rádio Aparecida. Foi assim que, em meados da década de 70, eu já escutava emissões de rádio em ondas curtas, uma prática corriqueira naquela região. Com os amigos, discutia detalhes do futebol carioca, após ouvir as magníficas narrações de Waldyr Amaral e Jorge Curi, pelas ondas curtas da Rádio Globo, do Rio de Janeiro (RJ).
No início dos anos 80, finalmente descobri as emissões internacionais. BBC de Londres, Rádio Suécia, Rádio Suíça, Nederland, Central de Moscou, entre outras, passaram a fazer parte da minha rotina de radioescuta. Após a venda de uma safra de café, meu pai destinou um dinheiro para a aquisição de um receptor Motorádio.
Ouvinte do programa O Mundo das Comunicações, apresentado pelo jornalista brasileiro Jacob Boristein, pela Rádio Nederland, aprendi técnicas sobre a radioescuta e dexismo. Filiei-me aos antigos Globo DX e DX Clube Paulista.

A partir da metade da década de 80, residindo em Porto Alegre (RS), cursei jornalismo na Unisinos e trabalhei em rádio. Fui redator de emissoras da Grande Porto Alegre (Felusp FM e Gaúcha). Em 1994, publiquei, pela Editora Brasiliense, o livro “O que é rádio em ondas curtas”, da coleção Primeiros Passos. Ainda na área acadêmica, em 1999, desempenhei o trabalho de bolsista para o jornalista e professor Luiz Artur Ferraretto, que publicou a obra “Rádio: o veículo, a história e a técnica”, pela Editora Sagra Luzzatto.
Sempre com o dexismo por hobby, assisti a entrada dos excelentes receptores digitais na vida dos brasileiros na década de 90, quando a Guerra Fria já pertencia ao passado. Sem o fator político, muitas emissoras deixaram de emitir em português e espanhol para a América do Sul. Mesmo com um bom receptor em mãos, já não era possível ouvir os programas em português das rádios Tirana, Sofia, Voz da Grécia, Paz e Progresso, Suécia, Suíça, Damasco, Kol Israel, entre outras.
Atualmente, as ondas curtas servem para difundir notícias e aspectos culturais, folclóricos e músicas de povos e nações. No primeiro caso, temos a BBC de Londres desempenhando um papel singular, ainda em português para o Brasil. No segundo, citamos a Rádio Internacional da China, a RDP Internacional – Rádio Portugal e a Rádio Japão. Para quem pensava que a política, nas ondas curtas, caiu com o Muro de Berlim, nos dias atuais, vale conferir os programas, tanto em português como em espanhol, da Rádio Havana Cuba. Também a Coréia do Norte irradia, no idioma de Cervantes, interessantes posicionamentos políticos via ondas curtas.
Entre uma e outra escuta em ondas curtas, concluí o bacharelado em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Ulbra, em 2002. Desde o início dos anos 90, sou servidor do Ministério Público. Atualmente, integro a Assessoria de Imprensa da instituição no Rio Grande do Sul.
Com a facilidade da Internet, participo de programas que divulgam as ondas curtas e o dexismo. Envio gravações em MP3 para a Voz Cristã, Guarujá Paulista, HCJB – A Voz dos Andes e RDP Internacional. Sou coordenador do DXCB e editor da coluna Panorama DX, dos boletins impresso e eletrônico, da mesma agremiação.


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