CELSO VICENZI: NÃO ME LEVEM A SÉRIO

Publicado em: 02/10/2006

Maravilha o site e o projeto. Somos um país sem memória e vocês abriram um espaço notável para que tantas histórias pudessem ficar registradas e que, certamente, serão fonte inesgotável de muitas pesquisas no futuro. Parabéns!
Por Celso Vicenzi

E já que é para falar desse veículo, quero registrar que me tornei jornalista por acaso, graças ao rádio. Em Blumenau, aos 16 anos, me interessei pela programação da Rádio Blumenau, que só tocava músicas – era uma AM no estilo FM, bem antes delas surgirem em SC. Ao final de cada música, antes dos comerciais, um locutor lia uma frase de humor, gravada durante a semana, com efeitos sonoros ao final, para auxiliar o efeito cômico.
Ao longo da programação de um dia, eram centenas de frases, repetidas em diferentes horários ao longo dos sete dias. A cada semana, novas frases. 
Resolvi escrever algumas frases de humor em uma folha de papel. Levei à emissora. Agradeceram. No dia seguinte, voltei com mais três folhas. O gerente da emissora, Osmar Laschewitz, que era, até então, o redator das frases, ofereceu-me, na hora, um emprego de redator de humor.
E assim foi, durante cerca de dois anos. Depois, virei redator de notícias. Passei ainda pela Rádio Nereu Ramos, antes de ser correspondente em Brusque, depois em Blumenau, do jornal O Estado. Aí, fui convidado pelo treinador Natanael Ferreira para ser jogador profissional do Avaí, mas essa já é outra história…
Há anos insisto com nossos principais jornais como seria interessante uma coluna de humor, mas só obtive espaço para colaborações eventuais em cadernos de verão ou assemelhados.
O Orestes Araújo – mestre de toda uma geração do fotojornalismo catarinense – ofereceu um cantinho na página 2 do seu Jornal de Barreiros. Então, é lá que eu volto a fazer o que o rádio me proporcionou, no início da minha carreira. Coisas assim:
– Fiquei milionário com os meus fracassos. É que sempre vendi muito caro as minhas derrotas.
– Paquerar é fácil. Aprende-se num piscar de olhos.
– Quando duas enxadristas se enfrentam, não deixa de ser, também, um jogo de damas.
– No boxe é possível participar de vários assaltos sem o risco de ir para a cadeia.
– Eleitor que nunca se arrepende só pode ser um praticante devoto!
– Autodidatas são poucos. Mas auto-ignorantes têm muitos.
– Pobre, o mais próximo que chega do luxo é quando tem uma luxação.
– O melhor decorador é aquele que faz de coração.
– Natal tem presépio, mas dependendo dos convidados, tem cada presepada!
 
É isso. Não me levem a sério! Que, aliás, é o título do livro que escrevi pela Editora Insular.

Um grande abraço,
Celso Vicenzi.
Site relacionado:
:: http://www.unaberta.ufsc.br/noticias/22833


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