Centrais sindicais reivindicam do governo concessão de rádio e TV

Publicado em: 16/05/2009

Ao autorizar a concessão de duas TVs e duas rádios educativas a uma fundação ligada ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o presidente Lula abriu caminho para que outros sindicatos e centrais sindicais reivindiquem igual tratamento. Por Rubens Valente

“É uma felicidade incomensurável. Lula demonstrou mais uma vez que é o nosso paizão. Daqui a pouco, todo o movimento sindical vai ter sua emissora de televisão”, disse o vice-presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil, Ubiraci dantas de Oliveira.

O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, diz que a entidade nunca pleiteou TVs ou rádios, mas que agora pensa no assunto. “O mundo sindical nunca teve seus meios. Vamos analisar os Estados e ver onde podemos pleitear.”

A Folha revelou ontem que a Fundação Sociedade Comunicação, Cultura e Trabalho, que tem o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC como principal mantenedor, obteve do governo concessões de TV educativa em Mogi das Cruzes e São Caetano do Sul e autorização para explorar rádios educativas em São Vicente e Mogi das Cruzes.

Segundo o deputado Márcio França (PSB-SP), que foi o relator do projeto de concessão da rádio de São Vicente, na Câmara se sabe que as emissoras são vistas como concessões para a CUT (Central Única dos Trabalhadores). Sendo assim, ele diz ser natural que agora outras centrais reivindiquem o mesmo tratamento.

O presidente da Nova Central, José Calixo Ramos, disse que a iniciativa abre margem para outras entidades sindicais, “mas é algo que deve ser avaliado com muito critério, pois manter uma TV exige estrutura quase empresarial”.

Atenágoras Lopes, da Conlutas (ligada ao PSTU), vê “um aspecto de democratização”. “Mas o governo poderia ter feito muito mais. Persegue-se, por exemplo, rádios comunitárias.” Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, disse ontem que estudos técnicos estão em andamento para a implementação dos canais. “É uma proposta de longo prazo, 30, 40 anos. As grandes redes de TV também nasceram pequenininhas.”

Gastos com TVs são estimados em R$ 17 mi anuais
DA REPORTAGEM LOCAL

O presidente interino da fundação que detém a nova concessão de TV na região do ABC, Rafael Marques, 44, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, disse que a entidade aportou, com recursos próprios, R$ 13 milhões para as duas emissoras ligadas ao sindicato, uma em Mogi das Cruzes e outra em São Caetano.
Desse total, cerca de R$ 1,5 milhão foi gasto na compra de equipamentos da TV de Mogi, que opera desde 2008. O restante foi depositado em conta bancária para ser usado na montagem da TV de São Caetano, cuja meta é atingir 200 mil domicílios.
Os sindicalistas estimam que são necessários R$ 17 milhões anuais para produzir e colocar no ar oito horas diárias de programação. Os recursos virão também dos outros sindicatos que mantêm representantes no conselho administrativo da Fundação Sociedade Comunicação Cultura e Trabalho, como químicos e bancários.

“O presidente Lula foi fundamental na obtenção desse canal. O governo Sarney [1985-1990] distribuiu vários canais, mas nenhum para os trabalhadores”, disse Marques. (RUBENS VALENTE)

Folha de São Paulo
ELVIRA LOBATO
DA SUCURSAL DO RIO
FERNANDO BARROS DE MELLO
DA REPORTAGEM LOCAL

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