CHEGA DE GRITO!

Publicado em: 26/03/2007

1. Gritar, gritar / Nós queremos gritar / Irritar, irritar / Nós vamos te irritar / Já que somos irritantes /  Se preparem, pra escutar / Ninguém manda na gente / Vamos te incomodar / Daqui ninguém nos tira / Se tirar vamos voltar / Gritinhos ardidinhos / Vão ter que aturar… /     Gritar, gritar / Nós queremos gritar / Irritar, irritar / Nós vamos te irritar / Menininhas nojentinhas / Nos dão motivo pra gritar /  Com vozes desafinadas / 3 acordes, vamos lá / Punk rock de calcinha / Saias, frangas de franjinhas / Gritando e irritando / 1, 2 , 3 , 4 e começando… / Gritar, gritar / Nós queremos gritar / Irritar, irritar / Nós vamos te irritar / Lá lá lá , lá lá lá lá lá lá….
Por Elóy Simões

2. Virou moda: agora, os anunciantes, um atrás do outro, entram aos berros na casa da gente. Cada um tentando gritar mais alto do que o concorrente.
Estão se esquecendo de uma coisa: quando ligamos a televisão, queremos entretenimento. Não gritos – no máximo, os do Faustão. Quando sintonizamos uma emissora, estamos atrás de música, de notícia ou de um programa divertido, descontraído, criativo – este, convenhamos, coisa rara, infelizmente. Aí, o anunciante se intromete na programação para mandar a  mensagem de venda.  Duvido que ele goste que alguém entre em sua casa aos berros.
Pois é exatamente o que fazem, com uma freqüência crescente.
3. Se não, não vende, alguns vão dizer. E o nosso negócio é vender.
4. Canso de ouvir isso, mas não aceito. O grito não vende coisa nenhuma. Só irrita.O que vende é a oferta, o preço. No mais, do jeito que estão fazendo, só irritam a audiência e – pior, ainda – mandam a marca para as cucunhas.
O pior é que poucos percebem isso. A maioria não aceita a opinião da agência de publicidade– quando a tem. E continua errando, baseada nos resultados do passado.
5. Gente, estamos no século XXI. Na segunda metade da primeira década. O mundo, o mercado, o consumidor, os próprios meios de comunicação, mudam todo dia. No entanto,  essa algazarra que vocês fazem continua a mesma do século passado. Criando um excesso de ruídos.
6. Proponho uma aposta: aposto que uma campanha inteligente, criativa, sem gritos, vende mais do que essa coisa horrível e desrespeitosa que está sendo veiculada agora.  E que quem topar a aposta – se houver alguém suficientemente corajoso – faça, agora, uma pesquisa sobre o valor da imagem da empresa. E a repita depois  da campanha ser veiculada. Vai ver o tamanho do estrago.
Se quiserem irritar, como destaca a música do Bisk8, vão em frente.
No entanto, se o negócio for vender mais, com inteligência, com criatividade, com respeito ao consumidor, construindo valor para a marca, libertando-se da escravidão do preço, parem com os gritos. Contratem uma agência de publicidade realmente profissional, deixem-na trabalhar, e corram pro abraço.


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