Chegou a era do zettabyte

Publicado em: 24/05/2012

O mundo está diante de um verdadeiro tsunâmi de informações. O volume global de dados produzidos ou replicados em 2011, por exemplo, chegou a 1,8 zettabyte, segundo o International Data Corporation (IDC). Mas que é um zettabyte? A pergunta tem sentido. Para respondê-la, nada melhor do que recorrer a algumas comparações. Meu computador tem um disco rígido (HD) com capacidade para armazenar um terabyte, ou mil gigabytes. Pois bem: um sistema com a capacidade de um zettabyte (ZB) poderia armazenar o conteúdo de 1 bilhão de HDs iguais ao de meu desktop. Ou preencher a capacidade de armazenamento de 75 bilhões de iPads de 16 GB.

Em números decimais, um zettabyte equivale, a grosso modo, a 1 sextilhão de bytes, que, em notação científica, poderia ser escrito assim: 1021 bytes – ou seja, 10 elevado à 21ª potência. Em notação binária, seria 270 – quer dizer, 2 elevado à 70ª potência.

Uma questão essencial de nosso tempo é, portanto, o crescimento exponencial do volume de informações produzido no planeta. Nos últimos cinco anos, esse volume foi multiplicado por nove. E, segundo o mesmo IDC, em 2020, deverá chegar a 35,2 zettabytes, um terço dos quais estará na nuvem ou passará por ela.

Novos desafios

Para alguns especialistas, o mundo vive a era do zettabyte, que traz novos e crescentes desafios, tanto em projetos especializados quanto em áreas de instalação e gerenciamento de infraestrutura de armazenamento em ambientes virtuais, do crescimento exponencial de armazenamento, da segurança e redundância de dados (backup) e da recuperação de informações (recovery), entre outras.

Nessa nova era, a explosão de dados, de todas as origens, ganha o nome de Big Data. As novas opções de armazenamento, por sua vez, deram origem à computação em nuvem. É nessas duas áreas que se situa um dos maiores desafios para o Brasil e para o mundo: a carência de profissionais. O Instituto McKinsey Global, por exemplo, prevê que, em 2018, faltarão entre 140 mil e 190 mil profissionais nos Estados Unidos.

Programa acadêmico

Para minimizar esse problema, diversas corporações têm colaborado com programas acadêmicos, de que é exemplo o EMC Academic Alliance, que já alcança 81 universidades, no Brasil e no mundo, e foi criado pela EMC, uma das maiores empresas mundiais de armazenamento de dados.

Eduardo Lima, gerente do programa no País, explica que “esse crescimento contínuo e acelerado na produção de dados gera uma demanda por profissionais capacitados em armazenamento e computação em nuvem, que hoje são raros no mercado”. Essa demanda por profissionais dessa área, na realidade, sempre existiu. Mas nunca foi razoavelmente atendida.

Como ressalta Sandro Melo, coordenador do curso de redes de computadores da BandTec – a faculdade de tecnologia da informação (TI) do Colégio Bandeirantes –, “a adoção da disciplina Armazenamento e Gerenciamento de Informações na grade curricular tem como objetivo capacitar os alunos para essa enorme demanda de mercado; assim, o estudante, ao se formar, sairá da faculdade com um diferencial profissional”.

No Brasil, o programa EMC Academic Alliance é oferecido gratuitamente às universidades cujos cursos de TI sejam reconhecidos pelo Ministério da Educação e ofereçam a primeira graduação (bacharel e/ou tecnólogo). Além da disciplina Armazenamento e Gerenciamento de Informações, o programa oferece três cursos gratuitos para alunos e professores: Cloud Computing, Backup e Data Science.

O novo engenheiro

Desde a metade da década passada, o professor Joseph Bordogna, então diretor da National Science Foundation dos Estados Unidos, já vinha sugerindo que o engenheiro do século 21 precisaria familiarizar-se com os conceitos de teraescala, nanoescala, complexidade, cognição e holismo. E, além de conceituar essas matérias, ele dava exemplos de como elas poderiam ser úteis ao engenheiro deste século.

Teraescala sugere a ideia de ordens de grandeza gigantescas. Na computação do passado, as arquiteturas de sistemas lidavam com centenas de processadores. No mundo virtual de hoje, trabalham com milhões.

Nanoescala traduz a ideia exatamente oposta à de teraescala, ou seja, ordens de grandeza muito pequenas, como nanossegundo, nanômetro, nanotecnologia. Aliás, num futuro próximo, a evolução da nanotecnologia nos permitirá manipular a matéria, átomo por átomo, molécula por molécula.

Complexidade, no sentido tecnológico, refere-se à extrema diversidade de elementos. Para lidar com situações de elevada complexidade, os cientistas criaram até uma especialidade chamada engenharia do caos, cujos recursos lhes permitem controlar situações próximas da desordem total.

Cognição, como diz o dicionário, é a aquisição do conhecimento ou, mais precisamente, o processo mental pelo qual adquirimos conhecimento. Para o professor Bordogna, a atual revolução da informação tende a tornar-se insignificante diante da emergente revolução do conhecimento.

Holismo, na acepção usada por Bordogna, é “o conceito que nos diz que uma entidade pode ser maior do que a simples soma de suas partes”. Ou que nos permite juntar coisas aparentemente díspares num conjunto muito mais coerente, inclusive em sistemas sociais, físicos ou de engenharia virtual.

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