Cinco redes de comunicação reúnem 39% dos veículos

Publicado em: 18/12/2008

No Brasil, o Sistema Central de Mídia é estruturado a partir das redes nacionais de televisão. Dos 2.385 veículos ligados a uma das 55 redes nacionais de rádio e TV do País, 39% (934) possuem relação com as cinco maiores redes privadas de televisão – Globo, SBT, Record, Band ou Rede TV!.

Esse percentual representa, por exemplo, a quantidade de veículos afiliados de cobertura nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O quinteto vincula-se a quase 10% dos 9.475 veículos de mídia identificados pelo projeto independente “Donos da Mídia”.

À Rede Globo de Televisão estão afiliados 340 veículos, entre emissoras de rádio, televisão e impressos espalhados em todo o território nacional. Em segundo lugar está o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), com 194 veículos. A Rede Bandeirantes (Band) assume a terceira posição, com 166 veículos afiliados em quase todos os estados.

Em quarto lugar aparece a Rede Record, que é afiliada a 150 veículos de comunicação, inclusive o jornal de maior tiragem do País, o semanário Folha Universal. Já a Rede TV! está ligada a 84 veículos de comunicação.

“Constatou-se que o predomínio da Rede Globo tem a ver não apenas com a quantidade de veículos associados, mas também com a diversidade dos suportes. Ou seja, os grupos ligados ao conglomerado carioca controlavam não só mais TVs como mais rádios e jornais”, afirmam os coordenadores do projeto “Donos da Mídia”, inicialmente idealizado pelo jornalista e escritor Daniel Herz.

Ele é o autor do polêmico livro “A História Secreta da Rede Globo”, no qual denuncia a suposta entrada de capital estrangeiro na construção da organização.

De acordo com os organizadores do projeto, o Brasil possui um número muito maior de veículos do que o apresentado, mas o projeto optou por identificar e analisar somente aqueles cujos conteúdos são distribuídos ao público diária ou semanalmente de forma massiva e por pessoas jurídicas constituídas.

Desde a década de 60, a configuração do sistema de redes nacionais foi construída com duas características básicas: forte apoio dos recursos públicos e um modelo de negócios baseado na afiliação de grupos regionais privados a esses conglomerados nacionais. Modelo que, segundo Celso Schröder, é absolutamente insólito no cenário mundial atual.

“Os demais países do mundo sempre lutaram pela descentralização, enquanto o Brasil optou pelo modelo da afiliação. Se por um lado isso foi um sucesso total do ponto de vista econômico e empresarial, foi um fracasso para a cultura e a produção independente”, afirma Schröder, coordenador geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).

“O Brasil tem uma cultura reconhecidamente rica, mas que se torna empobrecida pela verticalização e unificação dos discursos. E o custo disso é a inibição cultural”, diz o coordenador. Para ele, ‘Donos da Mídia’ confirmou a promiscuidade entre comunicação e política. “Temos famílias inteiras dominando a comunicação de grandes regiões”, diz Schröder, ao lembrar que 271 políticos brasileiros são sócios ou diretores de empresas de radiodifusão no País.

As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste possuem 40% dos veículos ligados às chamadas redes, conjunto de emissoras de rádio ou TV que transmitem uma mesma programação gerada a partir de uma estação principal (cabeça-de-rede). “Seja por uma questão territorial ou política, as zonas mais pobres do Brasil são aquelas que possuem maior subordinação às redes oligopolistas de televisão”, destaca o coordenador do projeto ‘Donos da Mídia’, James Görgen, em artigo sobre o tema.

Schröder também acredita que isso é prova de que para democratizar não basta somente a diversidade. “É preciso, porém, atribuir um estatuto social pelo qual se pode ‘fiscalizar’ essa relação promiscua entre comunicação e política”, afirma o defensor da democratização da comunicação no Brasil.

”O governo hoje tem a chance inédita de fazer uma discussão que nunca houve, sobre a democratização da comunicação. Podemos contar com a democracia e com os diversos instrumentos tecnológicos que permitem a discussão”, conclui Celso Schröder.

Fonte: Contas Abertas

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