Cláudio Monteiro e as novelas de rádio em tempos de internet

Publicado em: 12/10/2008

O radialista Cláudio Monteiro, que assume o microfone da Rádio Gaúcha, de Porto Alegre, no indigesto horário das três horas, em plena madrugada, é, sem dúvida, um entusiasta. E não por sua dedicação a um período de trabalho de poucos, mas fiéis ouvintes. Monteiro mantém vivo o radioteatro no Sul do país.

No seu estúdio na Zona Norte da capital gaúcha, com outros abnegados, grava novelas escritas há décadas por autores que cativavam ouvintes e têm, hoje, seus textos adaptados à modernidade por ele. Prensados em CDs, são comercializados via internet – http://www.radionovelas.com.br – ou com o auxílio de amigos.

Esta não se constitui na primeira investida de Cláudio Monteiro no terreno da dramaturgia radiofônica. Detentor dos direitos da obra de Raymundo Lopes, o radialista, de 1993 a 1995, na 1.120 AM, da Rede Brasil Sul, produz, dirige e interpreta várias novelas com relativo retorno de público. Na emissora, chegam a ser irradiadas, com equipe própria, sete produções completas e 20 peças de radioteatro.

A apresentação dos 102 capítulos de “O homem sem passado” é a que faz mais sucesso. Uma promoção realizada pela emissora lembra a época do espetáculo radiofônico, distribuindo 500 fotografias do elenco a ouvintes que enviam cartas com envelopes selados e acompanham o enredo: Em uma praia muito distante da cidade grande vivem seu Lourenço, dona Maria José, seu Maneco, irmão de Lourenço, e seus filhos Virgínia, uma moça que sonha com seu príncipe encantado, e Pedrinho, que faz suas peraltices na praia.

Seu Lourenço e Maneco são exímios pescadores. Todas as noites eles saem para pescar. Foi em uma destas noites que, ao retornarem, encontram o corpo de um homem enrolado em um saco e com um ferimento na cabeça. Levado para a casa dos pescadores, todos tratam do ferido. Passados dois dias, eles descobrem que o moço que encontraram na praia perdeu a memória. Não sabe quem é.

Em meados dos anos 1990, no entanto, a repercussão da trama envolvendo um galã desmemoriado vindo da cidade grande e a mocinha sonhadora da praia interiorana não chega a ser suficiente para empolgar a RBS. A programação voltada ao entretenimento popular acaba substituída pela da Central Brasileira de Notícias, jornalística e parcialmente gerada no centro do país. Novelas como “O homem sem passado” seguem vivas graças ao empenho de Monteiro e da sua Gossen Produções, coisa de um abnegado fã de radionovelas.

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