Como caravelas em revolto mar, assim elas seguem paralelas

Publicado em: 05/04/2008

Certa vez, ouvi um editor dizer que, se cada poeta comprasse um livro de poesias tornaria viável qualquer investimento na edição de tais obras. Essa reflexão me vem à mente face o meu constrangimento com o surpreendente número de acessos de todos aqueles que me tem prestigiado.
Por José Alberto de Souza

Porém, confesso que me inquietava bastante quando verificava alguns dos companheiros colaboradores, a meu ver muitos mais brilhantes do que eu, esquecidos no seu cantinho, esperando um pouco mais de atenção de parte dos navegadores nessas águas imprevisíveis.
Eis que agora é chegada a minha vez de conhecer o fundo do poço, não que isso me faça sentir abandonado pelos amigos, mas sim como uma oportunidade de sobreviver à dura prova das esperanças infundadas.
Para mim, essa foi uma experiência gratificante de me nivelar solidariamente àqueles confrades tão injustiçados pela repercussão alcançada com seus artigos muito bem elaborados.
Quem não conhece o teor de todas as matérias apresentadas por Caros Ouvintes, não sabe o que está perdendo em conhecimento e memória da radiofonia nacional.
Cada fim de semana, para mim, é de uma alegria indizível por me embriagar com essa leitura de cabo a rabo do meu jornal preferido, postando sempre em cada seção o meu comentário despretensioso como quem tropeça e se desculpa – não vai pensar que estou bêbado, pois eu caí aqui foi só para te cumprimentar!
Assim, começo dedicando consideração toda especial às queridas colegas, tipo primeiro as damas, para exaltar a nobre presença feminina em nosso meio:
* Ana Verônica Mautner (crítica aguda, polêmica, guerreira, sem meias palavras),
* Mariana Wachelke (quando vai dar o ar da sua graça novamente?),
* Marilange Nonnenmacher (prestigiadíssima, cronista de mão cheia),
* Rúbia Vasques (que chega de Santos com excelente material de pesquisa).
A seguir, passo em revista a tropa de choque, composta pelos expoentes da classe de:
* Agilmar Machado (meu padrinho, estou com saudade das suas crônicas!),
* Antunes Severo (refinado e nos envolvendo com seu texto memorialístico),
* Antônio Paiva Rodrigues (informações técnicas que não podem ser menosprezadas),
* Carlos Braga Mueller (o meu Almanaque destilando curiosidades por todos os poros),
* Cesar Luiz Pasold (retornando agora com suas lembranças marcantes),
* Edemar Annuseck (precisava mais era dirigir uma emissora pela sua competência),
* Jamur Júnior (bagagem considerável de conhecimentos radiofônicos),
* Luiz Artur Ferrareto (pesquisador, grande estudioso da história do rádio riograndense),
* Ricardo Medeiros (idealista, batalhador pelo ensino da comunicação nas Faculdades),
* Ubiratan Lustosa (memória privilegiada, resgata vultos importantes do Paraná).
* Vilarino Wolff (simpático, bom caráter, incentivador, não pode continuar retirado).
Daí que descubro dentro de mim aquele sujeitinho invocado, metido a besta, massageado no seu ego e inebriado pelo sucesso da competição, quase deixando de lado o espírito de cooperação que deve imperar numa confraria.
Por tal motivo, rendo minhas homenagens a toda essa gente que, nessas idas e voltas… são como caravelas em revolto mar, mastros quebrados, rasgadas velas, cascos maltratados nas tormentas; mesmo assim elas seguem paralelas, tentando sempre manter o rumo à procura de um porto aonde chegar

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