CORAGEM, JOVENS

Publicado em: 11/02/2007

1. “Desesperar, jamais,
aprendemos muito nesses anos,
afinal de contas, não tem cabimento,
entregar o jogo, no primeiro tempo.
Nada de correr da raia,
nada de morrer, na praia,
Nada! Nada! Nada  de esquecer
Que no balanço de perdas e danos
já tivemos muitos desenganos;
já tivemos muito o que chorar;
mas agora, acho que chegou a hora
de fazer valer, o dito popular:
desesperar, jamais,
cotucou por baixo, o de cima cai,
cotucou com jeito, não levanta mais.”
Por Elóy Simões

2. Cheguei no Botequim, escolhi a mesa mais isolada, pedi um chopp. O dia tinha sido muito complicado: a falta de informações para compor um bom brief me obrigara a mergulhar num monte de pesquisas e bater perna no mercado. No meio disso, reuniões com a criação e a mídia para discussão de outros trabalhos. Eu estava realmente tenso e cansado e nessa hora nada como uma boa esfriada na cabeça acompanhada de um choppinho gelado e de uma reflexão mais profunda.
Eu estava nessa quando as duas jovens publicitárias chegaram.  Sentaram-se à mesa do lado e começaram a discutir o dia. Que, pelo que me foi dado a entender, também não lhes foi fácil naquele dia.
Não sou de ficar ouvindo a conversa dos outros.  Mas, motivadas pela  indignação, estavam excitadas e falavam alto. Eu não podia deixar de escutar.
3. O papo era sobre a mídia rádio que uma delas preparou, e sobre a peça criada pela outra para esse meio, ambas recusadas pelo cliente.
Você vê, dizia uma delas, a gente pesquisa para poder escolher o melhor e o mais econômico veículo pra ele. Aí, ele exige que a gente programe televisão. Só televisão. Vai pagar mais, ter uma produção mais cara e não terá o mesmo resultado  que teria se utilizasse o  rádio. 
Paciência,  falava a outra, a gente amarra o burro do jeito que ele quer.
 
Mas a garota da mídia estava inconsolável.
Dá vontade de desistir. De não mexer mais a ponta do dedo para ajudar o cliente. De só cometer as burradas que ele quer.
4. Não entrei na conversa, embora tivesse vontade, porque sou tímido. Nem ouvi o fim dela,  já estava na hora de ir pra casa. Tomara que  estejam lendo essas mal traçadas. Elas e os empresários e profissionais que atuam no meio rádio.
5. Para estes, deixo um recado: é preciso promover mais e melhor esse meio. Veicular uma campanha decente, criada e produzida por gente que entende do riscado. Chega de amadorismo. Escolham uma boa agência. E a contratem. Se o fizerem, estarão ajudando quem quer fazer justiça a vocês.
6. Para as duas jovens e para todos os publicitários que no dia-a-dia enfrentam as mesmas dificuldades, um apelo: não se entreguem. O encanto da profissão publicitária está aí: na luta diária, que às vezes nos traz desgosto, mas que nos enche de emoção quando vencemos uma batalha. Se no fim do dia vocês se sentirem extenuados, o que é normal entre os publicitários, façam como eu, tomem um choppinho. Ou um refri, se vocês não bebem. Ou um suco, se acharem que refri engorda. Uma parada estratégica entre a agência e a residência para reflexão, acalma e renova a energia, o otimismo e o entusiasmo para enfrentar as batalhas do dia seguinte. Sigam o conselho que Ivan Lins dá em seu samba imortal: desesperar, jamais.


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