CPI do Cachoeira se move como caranguejo bêbado

Publicado em: 23/05/2012

selo-apontamentosMovendo-se como caranguejo bêbado (será que ninguém teme pela ressaca?) a CPMI do Carlinhos Cachoeira mostra interessante retrato do padrão moral que vigora em parte da politica nacional. Os movimentos iniciais dessa comissão permitem afirmar que é preocupante a quantia de invertebrados ocupando postos chaves no parlamento. Já considerada a mais lenta dos últimos vinte anos ela tem tudo para terminar numa grande bacanal. Quer dizer, bons tempos quando terminava em pizza… No ritmo atual – alguns ainda alimentam a esperança de que o rumo ainda se modifique – essa CPMI pode se tornar vergonha nacional. E nós, como sempre, não passaremos de impotentes expectadores.

Nossos histriônicos moralistas (mas quem não rouba?) mexeram em bosta seca e ficaram apavorados com o fedor que exalou. Agora fica a impressão de que deputados e senadores não tinham noção de onde se metiam. Até momento, na verdade, como só apareceu gente graúda envolvida nas teias do submundo do Cachoeira, houve um epa, epa, epa, geral e mudou o tom da fala. Agora nossos doutos parlamentares estão procurando algum motorista, alguma faxineira, algum porteiro para depor na CPMI, sempre é mais fácil enquadrar os pequenos, os desprotegidos, os fragilizados.

Inicialmente decidiram arquivar as investigações envolvendo três deputados federais do Estado Goiás que tinham (e ainda tem) estreita relação com a figura central desse escândalo: um do PT, outro do PSDB e um terceiro do PP.

Adiante, segundo o jornal Folha de S.Paulo, um acordo selado pelo PT com incentivo do Planalto engaveta os pedidos para convocar os governadores Marcondes Perillo (PSDB de Goiás), Agnelo Queiroz (PT do Distrito Federal) e Sérgio Cabral (PMDB do Rio de Janeiro).

E, num rasgo de criatividade cínica, de falta de compostura, os invertebrados que determinam os rumos da CPMI tiram do foco das investigações a matriz da empresa Delta, o monstruoso polvo cujos tentáculos não poupam postura ideológica e programa partidário. As filiais (onde estão os peixes menores) vão ser investigadas. Diz o jornal que a ordem é preservar a empresa que tem dezenas de contratos com Governo Federal em troca da não convocação dos três governadores.

Nesse quadro geral, candidamente o deputado Cândido Vacarezza, do PT, disse aos jornalistas “que não vamos fazer uma devassa”. Compreenderam?

No frigir dos ovos o que sobrou até o momento, como decorrência da CPMI, é a briga entre a TV Record e o Grupo Abril. Irritada com a notícia de que grupo terá cem milhões de prejuízos em 2012 a Record fez coro com o PT e o ex-presidente Collor acusando a revista Veja e seu diretor da sucursal de Brasília, jornalista Policarpo Junior, de terem ligações com Carlinhos Cachoeira.

Então fica combinado o seguinte: lenha na imprensa…

Lembram que a gente disse aqui que daria chabu? Estava tão óbvio!

Ivaldino Tasca, jornalista | [email protected]

 

 

 

 

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *