Crueldade: governo da Coréia do Norte supera todos os limites

Publicado em: 16/05/2012

Ao longo da história da humanidade, a crueldade de muitos governantes foi além do teor da sanidade. Independente de tempo, espaço, sexo e etnia a barbárie deles leva a duvidar que fossem humanos (nesse cenário os comunistas da Coréia do Norte são fora de série como explicita Blaine Harden no recente livro “Fuga do campo 14”). Entre as damas cruéis estão Catarina, a Grande, da Rússia; Agripina, a Jovem (Rainha do Veneno na Roma antiga); Elena Ceausescu (Mãe da Pátria albanesa, superego do marido assassino); a chinesa Tsi-hi (Imperatriz do Trono do Dragão), que em 1899 decretou: “A palavra PAZ nunca deve sair da boca de nossos oficiais de alta patente, nem devem eles deixá-la repousar no coração nem por um momento”.

E a Rainha Ranavalona I (Maria Sanguinária de Madagascar)? Sobre a dama Ida Pfeiffer escreveu: Se o Governo dessa mulher durar muito mais, Madagascar vai ficar despovoada… Sangue – sempre sangue – é a máxima da rainha Ranavalona, e o dia em que essa mulher perversa não assina ao menos meia dúzia de sentenças de morte parece um dia perdido.

A lista de cavalheiros sanguinários é maior. Inicia com Herodes e passa por Gêngis Khan, Chaka Zulu, Adolf Hitler, Idi Amim Dada, Saddam Hussein (o Stálin do Oriente Médio) Robert Mugabe, Augusto Pinochet, François “Papa Doc” Duvalier. Essa lista macabra se completa com a estonteante linhagem dos comunistas que vieram para erradicar a injustiça e acabaram no rol dos piores assassinos da história (humilhando Hitler em matéria de perversidade): Josef Stálin, Mao Tse Tung, Nicolae Ceausescu, Pol Pot e Fidel que, segundo as estatísticas, o que menos  matou (não chegou a 20 mil).

Deixamos por último nesta relação insana o cavalheiro Kim Il-Sung (o Stálin da Coréia do Norte que passou o bastão para o filho Kim Jong Il e este para o neto daquele, Kim Jong-Un), pois o regime que implantou continua matando e ainda mantém campos de extermínio. Para gerar medo (o medo é o pilar de toda tirania) nessa Coréia fuzilar, fuzilar, fuzilar sumariamente é pouco, torturar, torturar, torturar por qualquer coisa não basta, prender, prender, prender qualquer um a qualquer hora não é demais, matar de fome, de inanição, à míngua, não é o suficiente (um prisioneiro sobreviveu catando em bosta de vaca o milho não digerido pelo animal. E, pasmem: ao ser pego com cinco/seis grãos de milho no bolso foi torturado por posse indevida de propriedade do Estado).

Na Coréia do Norte a insanidade vai além de tudo isso, supera o horizonte da ficção, pois nem a morte é permitida para que o prisioneiro possa se livrar da dor, do frio, da fome, da humilhação. O sadismo do regime não tem precedente: o prisioneiro (mesmo sem culpa formada) deve ficar vivo para sofrer enquanto o Estado quiser. Segundo a Associação Coreana dos Advogados em Seul (citado por Harden) a “Agência de Segurança Nacional da Coréia do Norte adverte todos os prisioneiros de que o suicídio será punido com sentenças mais longas para os parentes que sobreviverem”.

Dizer mais o quê? Apenas perguntar qual critério levou os comunistas brasileiros definirem o Kim Il-Sung (que ajudou a dizimar mais de um milhão de pessoas), como “patriota e internacionalista que promoveu as causas da reunificação coreana, da paz e da amizade e da solidariedade entre os povos?”

Ivaldino Tasca, jornalista | [email protected]

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