Culinária, Vinhos e o Rádio Digital

Publicado em: 07/02/2006

Antes de falar da webradio, tema que me traz aqui a Braga, em Portugal, quero comentar um outro assunto. Assim, vou misturando minhas impressões da cidade com a minha pesquisa do Doutorado.
Por Nair Prata

O assunto que eu quero comentar é, na realidade, a pedidos. Várias pessoas têm entrado em contato comigo pelo meu e-mail pessoal e me falam “Ah, Nair, você não falou ainda da comida portuguesa!”. Outros dizem: “E o vinho do Porto, você não falou nada ainda, já provou?” Vamos, então, à culinária e ao vinho.
Quero dizer aos meus webleitores, ávidos por informações culinárias e etílicas das terras lusitanas, que eu não sou a pessoa apropriada para falar destas coisas. Acho que é preciso um talento especial para este tipo de comentário, a pessoa tem que gostar, tem que ter paladar, tem que sentir o aroma, ter curiosidade sobre o preparo, buscar restaurantes, ir atrás de ingredientes. Este, definitivamente, não é o meu caso. Não como carne vermelha, não tomo bebida alcoólica de espécie alguma e meu cardápio é extremamente restrito. Assim, meu querido leitor, não posso lhe falar da culinária portuguesa como consumidora. Talvez, como observadora…
As pessoas aqui comem muito peixe, de todas as espécies, feito das mais diversas formas. E o bacalhau, é claro, está em todos os cardápios de todos os restaurantes. Nos supermercados e nos talhos (é como se chama o açougue aqui) observo a venda, além das carnes de boi e porco, também de cabrito, polvo e coelho. Há ainda as lojas especializadas apenas em peixes e uma feira livre que funciona aos sábados vende sardinhas em bancas. O frango, meu prato predileto, não está muito em alta. Culpa da gripe das aves, como eles dizem aqui…
Sobre o famoso vinho do Porto também não posso comentar. Vejo-o por todo lado, até já dei uma bicada pra sentir o gosto, mas não é a minha praia. Só sei que na fila do supermercado fico sempre observando: é difícil encontar um  carrinho onde não haja uma (ou várias!) garrafas da mais legítima bebida nacional portuguesa. Também nos restaurantes há sempre um vinho à mesa, acompanhado de um pãozinho e uma bela conversa!
Estou produzindo uma matéria para ser publicada na revista PQN – editada em Belo Horizonte pelo batalhador Robson Abreu – voltada para profissionais de comunicação. Para esta matéria, fiz uma longa entrevista com dois estudantes da Universidade do Minho: Glória Castelhano (nasceu na cidade de Mira, aqui em Portugal) e Arnaldo Costa (nasceu na cidade de Canchungo, na Guiné Bissau). Nessa conversa, eles me contaram muitas coisas interessantes sobre a culinária portuguesa. Alguns tópicos:
– O principal prato servido aos domingos, nos restaurantes, chama-se Papas de Sarrabulhos, feito com sangue de porco coalhado;
– A feijoada portuguesa, além de ser feita com feijão marrom, leva ainda cenoura, repolho e tomate. Para acompanhar, somente arroz branco;
– O pastel de nata é o doce nacional (esse eu já comi e adorei!);
– O vinho produzido aqui no norte de Portugal é mais amargo do que o vinho do Porto, bem mais adocicado. Aqui é uma região mais fria e então as uvas ficam mais ácidas;
– Na noite do dia 23 para o dia 24 de junho (festa de São João – data mais importante de Braga) as famílias vão para os jardins de suas casas e para as ruas, assar sardinhas e comê-las. Cada família leva seu próprio assador (uma espécie de churrasqueira), mas há também vendedores ambulantes que vendem sardinhas assadas na hora. Junto com as sardinhas assadas, as pessoas comem broa de milho.
Por hora,  chega de culinária e vamos ao rádio, tema desta coluna. Quero falar hoje do rádio digital. Nesta semana vou a Lisboa participar de um seminário sobre o tema, promovido pela Associação Portuguesa de Radiodifusão. O encontro, que será realizado na Universidade Autónoma de Lisboa, tem como título: “O Futuro da Rádio Digital – Que Alternativa? (DAB, DRM, IBOC e ISDB)”. Este seminário será o primeiro de uma série de oito encontros que a entidade pretende promover este ano sobre o tema. Mais informações em www.apradiodifusao.pt.
Três assuntos principais serão discutidos no seminário:
– Sistemas digitais atualmente existentes, suas características e estágios de desenvolvimento;
– Vantagens e desvantagens de cada um desses sistemas e quais os custos associados à sua implementação;

– Em que ponto se encontra Portugal no que diz respeito à digitalização no setor rádio.
Tenho lido muitos autores e todos são unânimes em dizer que o futuro do rádio é digital. É um caminho sem volta, como dizem alguns. Um texto muito bacana sobre o assunto é o da professora e jornalista brasileira Nélia Del Bianco: “E tudo vai mudar quando o digital chegar” (http://www.bocc.ubi.pt/pag/bianco-nelia-radio-digital.pdf). No texto, ela diz: “O rádio digital é uma revolução técnica tão significativa que irá alterar o modo de produção da programação, de distribuição de sinais e a recepção da mensagem radiofônica. Pesquisadores da área de várias partes do mundo apontam para a necessidade de uma “reinvenção” do rádio para que possa se adaptar à nova tecnologia. A mais evidente reinvenção está relacionada à diversificação do conteúdo para atender ao crescimento da oferta decorrente da diversificação de modalidades de canais.”
Um outro texto que eu li esta semana e que me fez refletir muito foi o da professora portuguesa Paula Cordeiro, “Rádio e Internet: novas perspectivas para um velho meio” (http://www.bocc.ubi.pt/pag/cordeiro-paula-radio-internet-novas-perspectivas.pdf). Ela toca exatamente no ponto que é a minha preocupação e tema da minha pesquisa: a digitalização muda de tal forma as características da radiodifusão, que é necessária uma nova definição de rádio. Um rádio que tem, além da transmissão sonora em tempo real, imagem em movimento, fotografia, hipertexto, cores, infografia, interação, continua sendo rádio? Esta pergunta já foi postada pela jornalista Wanir Campelo aqui nesta coluna, na semana passada. Tudo isso junto continua sendo rádio? Ou é uma nova mídia que emerge das novas tecnologias? E você, webleitor, o que acha?


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