Custo Brasil – 3

Publicado em: 21/03/2009

Se hoje o mundo reconhece o pioneirismo brasileiro nos balões aeróstatos e na aviação, foi porque seus inventores conseguiram apresentar suas ideias na Europa. Por Carlos Pimentel Mendes * 

Já um dos inventores da fotografia, Hercule Florence, não conseguiu obter esse título, e o inventor da transmissão por rádio, o padre Landell de Moura, chegou a ser ridicularizado quando buscou apoio oficial para uma demonstração prática no Rio de Janeiro (e é por isso que, embora o padre tenha conseguido patentear a idéia nos Estados Unidos, o mundo reverencia o italiano Marconi, que acendeu por comando de rádio as luzes do Cristo Redentor – embora se conte à margem da história que uma chave elétrica foi ligada no momento decisivo, para salvá-lo do embaraço por não ter funcionado o tal comando de rádio…).

Estes são alguns dos casos em que o apoio da sociedade brasileira aos seus inventores teria resultado em avanços decisivos para o País e conseqüente aumento da riqueza nacional, para não se falar na redução dos dispêndios com direitos de uso de inventos estrangeiros – o país é que poderia receber esses royalties, em vez de pagar.

Já que estes comentários chegaram às telecomunicações versus Custo Brasil, vale recordar que uma das primeiras câmeras de televisão deixou de funcionar no próprio dia da inauguração da TV Tupi. Entretanto, equipamentos construídos por comerciantes de café num armazém do porto santista, com “tecnologia” – se assim se pode dizer – totalmente nacional, funcionaram plenamente desde a inauguração de outra das primeiras emissoras brasileiras: a TV Santos, que surgiu em 1957 nessa mesma cidade portuária.

Saltando algumas décadas à frente, encontramos o Brasil desenvolvendo uma tecnologia inovadora na área dos combustíveis renováveis. A equação é simples: inevitavelmente, dentro de algum tempo o petróleo acabará. O mundo precisa de fontes de energia, e preferencialmente que sejam ecologicamente corretas. O Brasil tem a tecnologia. Problema resolvido? Não! É preciso colocar essa tecnologia no mercado, para que se viabilize economicamente. Após o susto com a alta do petróleo em 1973, começou no País o programa Pró-Álcool, mas foi só os preços internacionais do combustível fóssil caírem um pouco, e os consumidores que tinham aderido ao programa do álcool, adaptando seus veículos ou comprando novos modelos especialmente desenvolvidos, foram abandonados, parte deles voltando a usar carros movidos a gasolina.

Ocorreu portanto uma situação de “Custo Brasil” nessa volta à gasolina, e outra quando mais recentemente a alta no barril do petróleo levou ao revigoramento do programa dos combustíveis renováveis. Só que o Brasil poderia estar muito mais na frente nesse assunto, e agora tem de enfrentar a concorrência de programa semelhante desenvolvido nos Estados Unidos. Se não correr, talvez ainda tenha de importar veículos e combustíveis especiais dos EUA… quando já poderia até contar com um avantajado programa de exportação de álcool combustível, e de veículos com flexibilidade no abastecimento (movidos a vários combustíveis), para todo o mundo, melhorando a sua balança comercial, ampliando a riqueza interna, propiciando mais empregos tanto no agronegócio como nas montadoras de veículos.

Não adianta possuir o invento, e ser ele melhor que os dos concorrentes, se não houver o apoio da sociedade, por meio de suas autoridades representativas, para que os resultados econômicos apareçam. É o que muitas vezes acontece no Brasil, daí seu maior custo, que dificulta a viabilização de muitos projetos, depois encontrados em outros países que melhor acolheram os geniais brasileiros…  
  
  * Carlos Pimentel Mendes é jornalista e edita o site Novo Milênio (www.novomilenio.inf.br)
[email protected] Leia também: * Custo Brasil (1) *Custo Brasil (2)

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