Da Cachaça à Alegria

Publicado em: 07/02/2006

A Escola de Samba Unidos da Coloninha vai para o sambódromo de Florianópolis, no sábado de carnaval (25/02), com o enredo assinado por Eloá Miranda: “Da Liberdade e da Cana à Euforia. Da Cachaça à Alegria. Eu Quero é Mais”.
Por Ricardo Medeiros

O tema fala do início da colonização brasileira que teve no ciclo da cana-de-açúcar um dos grandes responsáveis pela imigração de contingentes de africanos escravizados. Eram esses negros que lidavam de sol a sol no canavial ou no engenho. Cortavam cana, moíam, purgavam e faziam aquele precioso líquido, a garapa, virar açúcar e cachaça. Suportada pelo trabalho escravo, a produção da riqueza do Brasil era servida na Europa.

Única representante do lado continental no desfile da Passarela Nego Quirido, a agremiação do morro da Coloninha, conquistou em sua existência seis títulos, sendo campeã em 1984, 1985, 1986, 1987 e 1989 (em 1988 não houve desfile). O último título veio em 1995, com o enredo “Corta a Corda Chica”, que falava sobre um manezinho da Ilha, Zé Maia, da região do Campeche, que construiu um avião para satisfazer sua paixão pela idéia de voar. O tema, de autoria de Ênio Rocha e Eloá Miranda, fazia uma alusão ao escritor francês Saint Exupéry, que segundo a história local costumava pousar no balneário. 

Fundada em 10 de janeiro de 1962 por Raul André de Andrade, Carico Otávio e Castor, a Unidos da Coloninha surgiu em Florianópolis como escola mirim. Depois de desfilar por três anos consecutivos, em 1965, a entidade encerrou suas atividades por dificuldades financeiras, ficando quase 20 anos afastada dos desfiles. O retorno aconteceu em 1983, reunindo simpatizantes de todas as idades em torno do enredo “Era uma Vez…Cem Anos de Monteiro Lobato”, baseado na obra de um dos mais conhecidos escritores da literatura infantil.
        
Samba-Enredo 2006
:: Clique aqui para ouvir (MP3)
Enredo: Da Liberdade e da Cana à Euforia. Da Cachaça à Alegria. Eu Quero é Mais.
Autora do enredo: Eloá Miranda
Autores do samba: Paulinho Carioca, Juninho Boquera e Sabarah
Mãe África nos deu esta semente
E o negro fez nascer sua raiz
Com um sonho contido no coração
Tempo de escravidão
Negro trabalhava de sol a sol
No engenho, no  canavial
Cortando, moendo e  purgando
Pra fazer a garapa,
Açúcar,  cachaça
E assim essa riqueza viajava
O Brasil colonizava
E o negro ajudava a construir nosso país
Surgiram os heróis da liberdade
Na esperança de ser  feliz
Com a fé nos orixás
Um adeus pra escravidão
Salve meu pai  oxalá
Essa miscigenação
Bis

Vamos unidos adoçar a vida
E transformar essa avenida
Nun sonho doce tão gostoso de sonhar
Quero voltar a ser criança
Em doçuras me lambuzar
Vou tomar um porre de felicidade
E o samba vai levantar essa massa
Se o sabor é doce eu quero é mais provar
E com a minha escola desfilar
Liberdade é poder cantar
Se embriagar de emoção
Coloninha é minha cachaça
Tá no sangue e no coração
Bis


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