Darci Lopes e a Rádio Cultura

Publicado em: 23/11/2010

O canal AM 1110 foi concedido em Florianópolis à família Barreto liderada pelo médico Dr. JJ Barreto, em 1954. A emissora, em caráter experimental e com equipamentos precários, funcionava desde 1952 no porão do consultório do Dr. JJ Barreto na Rua Padre Miguelinho, bem próximo da Praça XV de Novembro. A entrevista – sem áudio por problemas técnicos – faz parte de duas horas de gravação de áudio e vídeo realizada nos estúdios do curso de Jornalismo da Faculdade Estácio, parceira do Instituto Caros Ouvintes na produção de conteúdos, no dia dois de setembro de 2004. Além do pessoal da área técnica do curso, participou como colaboradora no projeto TV Catarina a jornalista e apresentadora de TV Ana Lavratti.

Ico – Darci, como entrou na história da TV Cultura de Florianópolis uma emissora de rádio? Como aconteceu isso de vocês adquirirem a rádio Anita Garibaldi?

Darci – Havia necessidade porque a TV tem as suas limitações; televisão não tem discoteca. Quando tivemos oportunidade de adquirir a rádio Anita trouxemos a discoteca da Rádio Anita. O título da empresa era Rádio e Televisão Cultura S/A, mas não tinha rádio. Então me preocupei em fazer uma rádio um pouco diferente. A recomendação era: vamos tocar a música que a gente conhece e que a gente gosta, vamos deixar os lançamentos pra depois. Naquela época já pouca coisa se aproveitava dos lançamentos, faziam sucesso uma semana.

Ico – Quando foi isso?

Darci – A televisão começou em 1970, então deve ter sido por volta de 74, 75. Tratamos primeiro de selecionar o pessoal porque a rádio tinha uma situação financeira muito ruim. Eu comprei do Helio Kersten Silva, que tinha adquirido do fundador da rádio, o JJ Barreto. Aí comecei a selecionar o pessoal. Já tínhamos lá, por exemplo, o Fenelon Damiani, que já trabalhava conosco. Aproveitei um e outro, mas a maioria não deu pra aproveitar. O discotecário era muito bom por sinal.

Ico – A seleção foi tranquila ou…

Darci – Houve uns casos interessantes, outros chocantes, porque eu fui obrigado a fazer uma limpeza. A situação era deficitária, muito funcionário, poucos produziam, eu fui obrigado a selecionar. Chegou uma velhinha que era faxineira, faltava só dois anos pra ela se aposentar, fiquei com pena da velhinha e disse: tá bem! vai trabalhar lá na televisão.
Ico – E a programação Darci?

Darci – A programação eu procurei melhorar; em seguida mandei fazer uma pesquisa, melhoramos a seleção musical e melhorou a audiência da emissora. Então, quer dizer que o povo gosta de boa música. Isso eu explorei, e melhorei a audiência da emissora.
 
Ico – E a parte administrativa, muitas mudanças?

Darci – Eu procurei fazer uma emissora bem funcional. Ela funcionava só com dois funcionários. Tudo era gravado, até a hora certa era gravada e o operador botava no ar o noticiário que ia por via telefônica. Era produzido na televisão e ia por telefone pro operador da rádio. Só tinha um operador.
 
Ico – Mas, o Hélio continuou lá, mesmo depois de vender a sua parte na rádio…

Darci – É. Tinha lá o Helio Kersten Silva. O Helio trabalhou lá e me deu muito trabalho. Ele e a mulher dele também. Depois ele acabou brigando com ela, separou e voltou pra primeira. No princípio o faturamento da rádio não correspondia, mas depois em consegui equilibrar e passou a dar lucro. Pouco mas dava.

Ico – E a potência da rádio?

Darci – A potência acho que era 1 kwatt.

Ico – A sede da rádio era ainda na Rua João Pinto, onde foi fundada…

Darci – Quando compramos estava na Rua João Pinto, mas quando incorporamos a rádio passou pra Rua Bocaiúva junto com a TV. O transmissor era lá na Ponta do Lessa, então o operador de rádio trabalhava lá junto com o transmissor. Antes ficava em uma daquelas ruas ali e a torre ficava no meio de um monte de casinhas. A torre já tava muito enferrujada, então eu mandei construir uma torre nova lá na Ponta do Lessa.

Ico – Muito grato Darci, em meu nome e no da Aninha.

1 responder
  1. Sedemir Melo says:

    Olá, que alegria, fiquei muito feliz ao ler esta entrevista, hoje estamos na Radio Cultura e é emocionante ter o conhecimento de parte da história da emissora… ficamos imaginando quanta gente já passou por aqui, quantos ouvintes, quantas histórias…o Rádio é mesmo algo maravilhoso. Deus abençoe a todos.

    Sedemir Melo
    Radio Cultura

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