De palmo em palmo se faz um pé que nos leva a dezenas de quilômetros

Publicado em: 10/12/2011

Tributo ao chefe escoteiro Paulo Roberto Guimarães

Quando Lord Baden Powell concebeu o escotismo como atividade educacional e de capacitação prática utilizou os melhores conhecimentos existentes à época (fins do século XIX), especialmente o que ensinavam  Piaget e Montessori na didática e pedagogia do “aprender fazendo com os educandos”. Também utilizou a sabedoria oriental absorvida durante suas viagens a Índia e Africa, época em que conheceu o Mahatma Gandhi, o grande líder do pacifismo que lutava pela libertação do colonialismo inglês. Das observações que fez, Baden Powell recolheu as experiências que lhe levaram a desenvolver a prática do Passo Escoteiro: quarenta passos andando e quarenta passos correndo, mas sempre na mesma cadência.
Recentemente precisei visitar uma série de órgãos públicos estaduais e municipais no Continente, jurisdição do Município de São José. Foi então que recordei as gostosas tiradas do nosso impagável Caloca, escoteiro superdotado intelectualmente,que vez por outro extravasava seu gênio em desenvolvimento. Tinha o Nego Luiz cujo olhar já era um pé de briga. Como escoteiro e depois chefe da Tropa de Mar não largava o pé do Caloca: “Qual é a tua ô sabichão? Se tu achas que conheces a trilha, palmo a palmo, eu conheço pé ante pé”- aí dava aquela risada, pois os dois se aceitavam escoteiramente, mas um era o corregedor do outro.
Quantas vezes,saindo de nossa sede da Bocaiúva,íamos por Barreiros, subíamos a Rua Moura, alcançávamos o cume do do Morro do Roçado e de lá, com todo o cuidado, tais e quais guerrilheiros rastejantes e alertas, atravessávamos o Pasto do Gado – gado bravio em invernada, agressivo e perigoso.
Certas noites, uns assustados com os outros – bois e escoteiros – corriam para um lado e aí o Caloca deitava e rolava: “Eu não disse, seus pancrácios, que eu conheço esse território, palmo a palmo?” E olhava para o Nego Luiz, brincalhão: “Passastes talco na cara? Tuas calças estão limpas?”.
Esses meninos eram unidos, mas como todos os irmãos do mundo eles precisavam aprender que a vida tinha que ser vivida palmo a palmo.

 

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