Delírios de “mensaleiros”

Publicado em: 11/10/2012

Para a história de parte da esquerda brasileira não há capitulo mais doloroso (com odor de vela queimando em velório) do que o julgamento do mensalão. Doloroso, principalmente, para aqueles que perderam a vida no decorrer de trajetória de sangue durante o período em que a utopia corria pelas ruas para fugir do alcance dos cassetetes. Fico observando a trajetória de figuras carimbadas que ofereceram o melhor da sua juventude em favor de uma causa nobre e tenho dificuldade para entender como pararam no banco dos réus, patrocinando espetáculo mais do que deprimente. O que realmente aconteceu com essa parcela da geração que lutou contra a ditadura? Entender pode ser a ocasião para alertar aos jovens para que não sejam tão parvos quanto são alguns que teimam em não enxergar mesmo com a chegada da velhice…

 

Somente a cegueira típica de messiânicos ingênuos, a empáfia dos que se autoproclamaram timoneiros de um novo tempo e os afobados bossais críticos “da moral burguesa” fez crer que no Brasil o processo de que os fins justificam os meios poderia terminar diferente, ou seja, em algo positivo para toda a sociedade.

Não há exceção: em todas as partes do Planeta o resultado final dos adeptos de que os fins justificam os meios foi trágico para as populações que acabaram sofrendo duas vezes. Quem herdou a riqueza da URSS? Quem são os ricos da China? Qual é o estilo da família de Hugo Chávez que a basbaquice tupiniquim incensa? Como entender uma Coréia que esmola para alimentar seu povo?

E, tristemente, como a dizer que o processo do mensalão é pouco, como a referir que ele não basta em si, somos obrigados a suportar novos constrangimentos de parte de quem tenta teima em mistificar. Na longa lista dos delírios típicos de quem perdeu qualquer noção do contato com a realidade colho, entre várias, uma pérola da malandragem que ainda vai dar muito do que falar.

Demonstrando didaticamente que a cara de pau não tem limites o petista João Paulo Cunha (condenado por corrupção e peculato pelo STF no processo do mensalão) lidera um grupo que pretende denunciar o Brasil à Corte Interamericana de Direitos Humanos. Vai alegar que o Supremo Tribunal Federal não respeitou o direito dos réus e que os ministros que o condenaram e estão condenando os demais réus do mensalão, agiram por motivações politicas.

Essa sandice tem a simpatia do ex-presidente Lula que, agora mais calado sobre o tema, sente parte de seu patrimônio politico se esvair por causa da sua “cegueira” e “surdez” nesse que se tornou o maior escândalo da República. Essa atitude do petista João Paulo Cunha acaba nos humilhando a todos e parte do principio de que vivemos em republiqueta de bananas ou, o que é pior, numa ditadura onde o Judiciário obedece a ordens de um poder espúrio. Seriamos, por exemplo, como a Alemanha de Hitler e seus crimes de guerra, na opinião desse cidadão.

É uma sandice em cima da outra: o grupos que deseja levar o Brasil à Corte Internacional dos Direitos Humanos sob a alegação de um Judiciário subserviente, é o mesmo grupo que apoia países com as piores ditaduras do Planeta.

Bem que poderíamos ter sido poupados de mais este delírio “mensaleiro”…

Ivaldino Tasca, jornalista | [email protected]

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