Dicas para o comunicador de rádio

Publicado em: 02/03/2005

Muitas situações constrangedoras podem ser evitadas pelos comunicadores. Algumas vezes são detalhes que nos fazem pagar um gigantesco mico.
Leo Saballa, de Joinvile

A seguir alguns exemplos que aprendi com o erro. Aliás, é muito proveitoso aprender com os erros, principalmente com os erros dos outros.
– Entre a criatividade e o ridículo existe apenas uma tênue linha. Na maioria das vezes nem percebemos quando a ultrapassamos. Se você não é humorista, evite gracinhas, insinuações dúbias, trocadilhos, piadinhas bobas, imitações caricatas, rimas de mau gosto e outras manifestações que vão deixar os ouvintes com raiva de você. O “besteirol” só é aceito quando apresentado por profissional do ramo.
– Nunca, em hipótese alguma, use o tratamento de doutor para quem quer que seja: advogado, médico, juiz de direito, dentista ou delegado. Além de ser um termo “interiorano”, é fatal quando usado durante uma entrevista. Esta é uma maneira eficaz: “médico fulano de tal, o que o senhor tem a dizer sobre isso”? Ou “advogado fulano de tal, o que o senhor tem a dizer sobre isso”?
– Entrevistar ocupante de cargo no Executivo, Legislativo ou Judiciário chamando-o de Vossa Excelência, além de ser fora de propósito, demonstra o excessivo grau de puxa-saquismo. O tratamento deve ser direto, sem cerimônias. Exemplo: “governador, o que o senhor tem a dizer sobre isso?” ou “deputado, o que o senhor tem a dizer sobre isso?” A formalidade só é aceita, entre eles, em tribunais, plenários ou em ocasiões oficiais.
– Quando transmitir informação sobre a morte de alguém nunca diga “o fulano faleceu”. O certo é “o fulano morreu”. O termo faleceu é uma maneira de maquiar a palavra morte. Embora alguns supersticiosos evitem pronunciá-la, ela faz parte da nossa vida.
– Ao noticiar a morte de alguém jamais use o chavão “última morada”, para referir-se ao cemitério onde o morto vai ser enterrado. Também nunca o chame de extinto. São termos antigos que fizeram muito sucesso entre os redatores de notas fúnebres no início do século 20.
– Outro chavão que deve ser evitado é o famoso “morreu ao dar entrada no hospital”. Se a causa não foi a lombada na entrada do hospital, diga que a pessoa morreu a caminho do hospital ou antes de ser hospitalizada.
– Não é proibido divulgar suicídios, mas existe um pacto informal de ética na comunicação que evita mencionar acontecimentos desta natureza. Segundo algumas correntes de profissionais da psicologia, para cada suicídio divulgado, pelo menos mais um será registrado por estímulo. O recurso mais usado é “fulano foi encontrado morto no seu apartamento”. Se a pessoa morta for uma figura pública, então o jeito é divulgar o suicídio, informando as razões e ouvindo pessoas ligadas ao suicida.
– Seqüestro, rapto ou utilização de alguém como refém, são situações extremas que, se divulgadas como furo de reportagem, podem resultar em mortes. Lembre-se que nestes casos, os bandidos pedem o afastamento da polícia e da imprensa. Na dúvida, não divulgue. Ou então peça orientação a um policial experiente.
– Na transmissão de um jogo de futebol, lembre-se que o rádio não oferece o recurso da imagem. Então, informe a todo o instante o posicionamento exato da bola, em relação ao campo. Através dessa informação o ouvinte pode deduzir o risco de seu time sofrer um gol ou a chance de fazê-lo.
– Quando se referir a alguém que esteve com a saúde gravemente comprometida, mas superou a fase mais aguda, nunca diga que o fulano não corre mais risco de vida. Na verdade, risco de viver não existe. Viver é positivo. Diga: fulano não corre mais risco de morte. É mais adequado e dá uma idéia melhor do que se quer transmitir.

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