Digital: Radiodifusores precisam conhecer e investir

Publicado em: 09/05/2006

Um dos primeiros resultados do evento Rádio TV Show, organizado pela Embrasec em alguns mercados do país como Campo Grande/MS e Cuiabá/MT, é saber que muitos donos de rádio ainda desconhecem as regras para o novo sistema digital. Jairo Nabuco da Continental do Brasil explicou sua participação no “road show”.
Por Pedro Faria
Rádio Agência – 13/04/06

“Os radiodifusores precisam investir mais a médio longo prazo, pensando no futuro que é o rádio digital”.
Assim pensa Jairo Nabuco, diretor da Continental do Brasil, empresa de broadcasting voltada especificamente para o segmento de rádio.
A empresa surgiu em 1987 no Chile, onde se chama Continental Lensa e produz transmissores compatíveis com o HD Rádio através de uma aliança com a Ibiquity Digital e veio para o Brasil há apenas quatro anos, após perceberem o mercado forte que o país possui além, é claro, da possibilidade de desenvolvimento de equipamentos com custo relativamente baixo.
A Continental atende mercados em toda América Latina e também na Europa e acaba de participar da primeira etapa do Rádio TV Show, evento que tem o apoio do Rádio Agência. Entre seus clientes figuram importantes emissoras, como: Rede Pampa – RS, Rádio e TV Jornal do Comércio – PE e Rede Canção Nova.
De seu escritório no bairro de Vila Romana, São Paulo, Jairo Nabuco falou ao repórter Pedro Faria:
Rádio Agência – O Sr. retornou da primeira etapa do Rádio TV Show, Em Campo Grande. O que achou do evento?
Jairo Nabuco – É uma oportunidade interessante, pois entramos em contato com nossos parceiros e clientes na região deles, levando informações, mostrando produtos. Mas o segmento de rádio, mais em Mato Grosso do que em Mato Grosso do sul, é muito dependente. Não estão muito organizados, mobilizados. Parecem um tanto dependentes. Acho que os empresários deveriam ser mais ativos, engajados. O Ivan Feitosa (presidente da ASSERPE – Associação das Empresas de Radiodifusão de Pernambuco), está conseguindo uns 500 mil Reais/mês em recursos de publicidade.
RA – Mas os radiodifusores de lá tem este conhecimento? Conhecem bem o mercado?
JN – Não muito. O Oscar Piconez (diretor executivo da ABERT – Associação das Emissoras de Rádio e Televisão) explicou no evento que 10 emissoras já usam o sistema digital (a maioria usa o IBOC) e eles ficaram boquiabertos. Nem sabiam que o Ministro das Comunicações (Hélio Costa) deu liberdade aos empresários para que experimentassem. É só fazer o requerimento de licença e em mais ou menos uma semana você está autorizado a usar o sistema.
Mando um recado aos radiodifusores. Muitas empresas são formadas com muita base na família, sem enxergar o que fazem como um negócio.
Além disso, também devem olhar o mercado e se estruturar pensando no futuro, que é o rádio digital. Quanto antes se informarem, se prepararem, mais mercado ganharão em menos dinheiro será perdido.
RA – O Sr. poderia falar um pouco sobre o rádio digital no Brasil. Tecnologias, perspectivas, custos…
JN – A Continental apresentou a tecnologia IBOC ( In Band On Channel ) há dois anos em Minas Gerais e, no ano passado, em Brasília. Esta vem sendo usada pela maior parte das empresas que usam o digital no país. As vantagens do digital estão no seguinte: você tem uma maior exploração dos canais sem interferência ou perda de qualidade, diferente do analógico. A qualidade e a limpeza do som são melhores para o consumidor
RA – Mas o custo…
JN – Ainda são elevados. Mas isso vai mudar. O emissor também pode economizar muito em aparelhos e energia. No Am., por exemplo, usa-se em média 10.000 watts de potência. Com o digital o número cai para uns 500watts ou menos. É uma grande economia.
RA – O Sr. falou, antes de começarmos, que a Continental tem interesse no Mercosul.
JN – Sim. Os governos dos blocos tem políticas especiais e queremos aproveitar isto. Queremos caminhar para o Paraguai, Argentina entre outros.


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