Do cata-vento ao rádio digital – 15

Publicado em: 03/02/2008

Com a estréia ao microfone da ZYG-9 Rádio Rio Negro, o Menino do Itapevi lança as bases para um vôo mais alto. Sua meta é trabalhar numa emissora de ondas médias e curtas que seja ouvida em todo o Brasil. Ele quer, ele precisa ser ouvido em sua terra natal.

A bela Rio Negro, sua gente amável, os companheiros de trabalho e até as namoradas, por mais queridos e amados que fossem, eram coadjuvantes neste episódio. O novo profissional se concentra no trabalho enquanto pensa no passo seguinte que pretende dar. Capricha nas atividades de locução e logo passa a produzir e apresentar programas musicais de estúdio. Participa das primeiras transmissões externas da emissora juntamente com o locutor-chefe Sansores França.

Pega no pesado. Diante da precariedade dos recursos tecnológicos ajuda a puxar centenas de metros de cabo de linha telefônica para transmitir uma partida de futebol amador das equipes do Mafra e do Rio Negro, lá do outro lado do rio, em terras catarinenses.

O gramado, estádio não havia, mal era sinalizado. Em torno das quatro linhas, como se dizia na época, nada: nem um caixote pra sentar. Foi sentado num barranco, ao lado de uns dez torcedores que olhavam com visível cara de dúvida que inicia a transmissão. Valeu a experiência. Estava lavrado o tento histórico do início das reportagens esportivas da Rádio Rio Negro.
 
Outra aventura pioneira foi transmitir a prova de ciclismo realizada anualmente em Rio Negro. Os recursos técnicos da emissora só permitiam instalar um posto no local da saída e chegada da prova, em frente ao prédio do Cine Central que ficava no outro lado da praça em relação aos estúdios da emissora. O posto de transmissão foi instalado sobre a marquise frontal do cinema, onde havia energia elétrica e linha telefônica para ligar a maleta de amplificação. Daquele ponto estratégico se poderia narrar a largada e a chegada pelo menos. Mas e o andamento da prova?

A saída foi conseguir um grupo de jovens colaboradores que localizados ao longo do percurso telefonavam para o estúdio da rádio. As informações eram sumárias, limitando-se a registrar a passagem dos competidores. Mais do que a precisão jornalística, o importante era participar do evento.

Os laços com a cidade a cada dia se tornam mais envolventes. As amizades se ampliam e fortalecem, tanto dentro como fora da rádio. As namoradas, os amigos e até uma turma, que por suas estripulias acaba na polícia.

Semana Santa numa pequena cidade do interior, nos anos de 1950 para quem não é ligado em religião é um verdadeiro tédio, principalmente na noite de sexta-feira. No cinema, filme religioso; a rádio não funciona, os bares estão fechados e as garotas não saem de casa.

Foi nesse embalo que um dos componentes da turma teve a “brilhante inspiração”: “O Danilo tem um caminhão e eu tive uma idéia legal. Vamos fazer um troca-troca de móveis das varandas das casas entre Rio Negro e Mafra.

As cidades, apenas separadas pelo rio, embora em estados diferentes, têm costumes semelhantes. As residências em sua maioria constituídas de uma casa com uma varanda na frente, mantêm espreguiçadeiras, cadeiras e redes na parte da frente do terreno da moradia. E, naquela doce época ninguém usava chaves nos portões.

Dito e feito. Foi um tal de encher o caminhão numa cidade e descarregar na outra até altas horas da madrugada. No sábado pela manhã foi aquele alvoroço. Primeiro dizia-se se tratar de roubo. Depois, à medida que outras famílias verificavam ter “recebido” móveis que não eram seus os fatos começaram clarear: era mesmo molecagem. Tudo ia ficando por isso mesmo, até quando aparece uma intimação para o novo locutor da ZYG-9 se apresentar na delegacia.

Ao voltar para casa e já influenciado pela quantidade de cerveja consumida, o Menino do Itapevi, num arroubo de exibição danifica o luminoso de um hotel na rua principal da cidade. Um dos colegas presentes, desaprovando o ato informa que vai comunicar à polícia e comunica.

Na delegacia, depois de interrogatório civilizado, diga-se a bem da verdade, foi possível fazer a associação entre os dois delitos. Como, porém, todos eram “pessoas de bem” e conhecidas na cidade, tudo ficou por isso mesmo.

Na próxima semana nosso personagem chega a Curitiba em busca de uma emissora que seja ouvida em Rosário do Sul.
 


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