Do cata-vento ao rádio digital 18

Publicado em: 24/02/2008

O roteiro dos locais de coleta de opiniões, horários e quantas entrevistas deviam ser feitas em cada ponto eram decisões exclusivas do repórter e do técnico de gravação, Osni Bermudes um dos mais experientes operadores de som da emissora.

Os dois profissionais estavam conscientes de duas coisas: a lisura com que o trabalho vinha sendo feito por eles, e que era normal a reação diante dos resultados até ali alcançados. Afinal, estava-se em setembro, as eleições seriam logo no dia três do mês seguinte e quem liderava as indicações de voto era o major Ney Braga, sem currículo político e que estava concorrendo com uma sigla emprestada, a do o PSP – Partido Social Progressista.

Um fato novo, ainda na primeira semana de setembro bota mais lenha na fogueira. O Diário do Paraná, um dos dois maiores jornais do Estado, dá matéria no noticiário político referindo-se a posição dos cinco candidatos na totalização de intenções mostrada pela enquete da Rádio Marumby. Mesmo sem fazer juízo de valor, o autor da matéria chamava atenção do leitor para o que “poderia ser o indício de resultado inesperado”.

No mesmo dia e depois de conversar com o sonoplasta Osni Bermudes, o diretor da emissora, Tobias de Macedo Júnior chama o Menino do Itapevi e se refere à grande diferença que Ney Braga vinha obtendo em relação aos demais candidatos, políticos experimentados e integrantes da elite econômica e social do estado no estado do Paraná.

Ao final do encontro ficou definido que, independente do que pudesse acontecer, a enquete seria mantida dentro dos critérios adotados até então pelos responsáveis – repórter e operador de áudio – e que se algo tivesse de ser mudado, o programa deveria ser tirado do ar sob a responsabilidade da direção da emissora.

A tomada de posição, aparentemente antipática, naquela época fazia certo sentido, pois os conceitos básicos do jornalismo profissional ainda não haviam chegado ao rádio; tanto que um grupo de radialistas não só da Marumby como também das demais emissoras locais se movimentava para criar a Associação Paranaense dos Radialistas.

Como não existisse legislação específica sobre a divulgação de prévias no rádio, a direção da emissora manteve a transmissão dos resultados até 48 horas antes da eleição histórica que se daria dia três de outubro de 1954.

A apuração dos resultados de uma eleição naquela época era uma ação morosa e cheia de “mistérios”. Mas, talvez por se tratar de um pleito tão especial, em uma semana foram conhecidos os resultados oficias apurados pelo TRE – Tribunal Regional Eleitoral. Ney Braga venceu fazendo 28,7 % dos votos válidos, o que representava quase o dobro da média de votos dos outros quatro candidatos.

A margem de votos e a ordem em que ficaram os perdedores foram praticamente as mesmas apontadas pela reportagem da Rádio Marumby. Com isso os dois radialistas, que nem jornalistas eram, lavraram um belo tento para a emissora e encurtaram os seus caminhos pessoais para outros e mais altos desafios.

Na próxima semana: o sonho do palco auditório e as muitas atrações de uma das maiores emissoras do Brasil.


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