Do cata-vento ao rádio digital 19

Publicado em: 01/03/2008

A primeira eleição direta para prefeito de Curitiba teve seus reflexos no comportamento dos meios de comunicação da cidade mais tradicionalista do Brasil. O público pouco percebeu, mas os profissionais e as empresas de comunicação sentiram os efeitos.

Curitiba de há muito mostrava sua tendência para metrópole. Cidade rica, bem planejada, atividade econômica pujante, centro educacional de primeira linha já contando com uma universidade federal e uma população com origem européia culturalmente desenvolvida e atuante. Apenas a administração pública deixava muito a desejar. Talvez nem fosse por falta de talentos e de vontade, o sistema é que era velho, emperrado, quase monárquico.

Então, a eleição de um prefeito desvinculado dos entraves costumeiros da administração convencional fazia diferença e estimulava todos a ousar. Ainda mais, que esse prefeito trazia na bagagem o lastro profissional composto pelo rigor da vida militar muito bem dosado por uma cultura geral e humanística já notória.

Para o Menino do Itapevi também chegara o momento de alçar vôo mais alto. Com a experiência acumulada em quase um ano de atuação no rádio de Curitiba era o momento de tentar chegar mais perto do seu sonho: trabalhar numa emissora de grande potência capaz de ser ouvida em praticamente todo o Brasil e, naturalmente, em sua terra natal.

O salto pretendido era grande. Em linguagem do futebol de hoje seria o mesmo que sair de um clube que disputa a terceira divisão, direto para um dos maiores times da primeira divisão, com possibilidades de ser convocado para a Seleção Nacional. Felizmente para nosso personagem, a transferência se realizou sem maiores transtornos, embora com grande risco: demitiu-se da Rádio Marumby em junho de 1955 e apresentou-se na Rádio Clube Paranaense em busca da oportunidade que buscava. Foi contratado logo no mês seguinte.

Na Rádio Clube Paranaense abrem-se as portas do sucesso e do reconhecimento popular: locutor comercial, noticiarista, apresentador de programas de auditório, narrador de novelas e até radioator; afinal, a carreira sonhada há muito tempo. Com a exposição ampliada pelo contato direto com o público, a vida do profissional deixa de ser particular para pertencer aos fãs e aos admiradores.

Ainda assim, o Menino do Itapevi consegue reciclar-se assumindo novas posturas sociais e institucionais. Reforça o relacionamento com os colegas da nova emissora, sem perder o vínculo com os colegas deixados na simpática Marumby, ao mesmo tempo em que participa do movimento pela criação de uma entidade profissional de apoio às reivindicações da classe. Em abril de 1956 participa da fundação da Associação Paranaense de Rádio e em maio passa a integrar a primeira diretoria da entidade, eleito Secretário Geral na chapa presidida pelo colega de emissora, Sérgio Fraga.

No rádio a carreira segue dando seus frutos, pois nos meses seguintes o Menino do Itapevi é eleito melhor animador da Rádio Clube Paranaense e logo em seguida Melhor Animador do Rádio do Paraná do ano de 1956.

Na próxima semana: vamos para Florianópolis?
 


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