Do cata-vento ao rádio digital 20

Publicado em: 09/03/2008

Vamos pra Florianópolis? A pergunta veio entre um trago de conhaque e uma baforada de cigarro depois de horas de conversa jogada fora. Na rua, caia serena a neblina curitibana das três da madrugada. Na parede do bar, o calendário amarelecido mal deixava ver a data: 22/11/1956 – Segunda-feira.
Edwin Scott Balster e Antunes Severo, radialistas, trabalhavam no mesmo grupo empresarial, mas em emissoras diferentes. Edwin na RádioTingüi e Antunes na Rádio Clube Paranaense, onde se conheceram e se tornaram amigos. Tinham mais algo em comum: gostavam da noite para trabalhar e para se divertir. Edwin, operador de áudio e sonoplasta e Antunes, locutor comercial do horário noturno, saíam do trabalho logo depois da meia noite e geralmente se dirigiam a um bar para tomar um trago e comer um bife acebolado acompanhado de café com leite. Às vezes, o ritual se estendia a lugares mais festivos como boates e cabarés da região central da cidade.

Nos encontros quase diários, os dois amigos bebiam, fumavam e filosofavam. Nômades por natureza, os radialistas parecem estar sempre em busca de algo inesperado: uma nova emoção, uma aventura diferente, um desafio apaixonado. Naquela noite, depois de repassar os acontecimentos do dia e de alguns flertes ocasionais, entra na conversa uma recente descoberta: o sucesso que vem fazendo a até então desconhecida Rádio Diário da Manhã de Florianópolis.

Ambos ouviam a emissora em Curitiba como se fosse uma estação local e estavam muito bem impressionados com a qualidade do sinal e com o estilo leve e dinâmico da programação. Nenhum dos dois conhecia Florianópolis e muito menos sabia como era a cidade. Mas, o interesse pelo desconhecido dominava e os planos começam a brotar como se emanassem de uma decisão já há muito tomada.

E então, ali mesmo naquele bar da rua XV de Novembro, em Curitiba, às quatro da madrugada, alvorecer de um novo dia e com as baterias super carregadas de conhaques e pinga com fatias de limão que a decisão foi tomada: “estamos nos mudando para Florianópolis, pois lá está o nosso futuro”.

Foi assim que Edwin Scott Balster, nobre inglês nascido no povoado de Três Barras, em Santa Catarina e Antunes Severo, o Menino do Itapevi abriram os caminhos para uma terra que os adotou, os fez profissionais respeitados e lhes proporcionou uma vida plena de oportunidades.

Na próxima semana: “Rapaz, ganhamos uma ilha!”
 


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