Do cata-vento ao rádio digital 21

Publicado em: 16/03/2008

O plano de retirada dos dois aventureiros incluía pedir demissão, fazer contato com um colega que conhecia o diretor da emissora catarinense, pedir que fizesse uma apresentação, comprar passagem, juntar a tralha e botar o pé na estrada rumo a Ilha de Santa Catarina.
Embora simples, o plano exigiria muito tato e capacidade de persuasão, principalmente da parte do Menino do Itapevi, pois este apesar do pouco tempo na PRB-2 era uma de suas principais estrelas, inclusive com o título de Melhor Animador de Rádio do Paraná.
Quanto ao nosso Lord inglês das terras de Três Barras, Edwin Scott Balster, as coisas seriam facilitadas pelo tipo do seu trabalho “de cozinha”, que não aparece publicamente, embora sempre tenha sido um excelente sonoplasta.
Depois dos contatos com a direção de suas emissoras e a visita ao colega Homero Camargo de Oliveira que conhecia Francisco Mascarenhas, diretor da Rádio Diário da Manhã, à noite os dois boêmios puderam comemorar o sucesso das conquistas do dia: estavam demitidos e liberados do cumprimento de aviso prévio. Mais ainda, haviam conseguido falar diretamente com Francisco Mascarenhas que se encontrava de passagem por Curitiba. Era dia 24 de outubro de 1956, terça-feira.
Na manhã seguinte, malas prontas – dois pequenos volumes, mais parecendo mochilas daquelas que hoje os estudantes do primeiro grau levam para a escola – lá estavam eles, os expedicionários, a bordo de um “superluxo de carreira” da Auto Viação Catarinense. Pouco depois das nove da manhã, sol batendo na traseira do ônibus, um olhar indiferente para a Curitiba que já se confundia com as nuvens baixas da manhã.
O trajeto de 320 quilômetros foi vencido sem maiores sobressaltos, mas com muitos sacolejos e solavancos provocados pela esburaca estrada de chão que liga Curitiba à capital de Santa Catarina. Finalmente, por volta das oito da noite os viajantes são saudados pelas poucas e esparsas luzes da Ponte Hercílio Luz e chegam ao escritório da empresa na rua Felipe Schmidt, quase esquina com a Jerônimo Coelho. Uma lâmpada na frente da loja marca a paisagem: é a única iluminação comercial da principal artéria da cidade.
O detalhe passa despercebido pelos viajantes. Eles estão extasiados com a aventura de chegar ao seu destino.
Informados de onde poderiam pernoitar, se dirigem a pé, malas a tiracolo, em direção a sua nova morada: a pensão do Luiz, na rua Conselheiro Mafra. Alimentar-se, dormir, descansar, refazer as energias era a prioridade. Que viesse o sono e com ele os sonhos e com os sonhos a luz que eles buscavam.
Vinte e cinco de outubro, quarta-feira, oito da manhã, café. Nove, sair à rua, perceber a cidade, sentir seus cheiros, seus aromas, suas cores, sua gente, mirar sua aura, sentir-se participante e exclamar:
– Olá, bom dia! Viemos de longe, andávamos a esmo, quase perdidos. Hoje nos encontramos, nós também somos daqui. Nossas almas são gêmeas, trazemos sonhos e esperanças para compartilhar.
Na próxima semana: as boas vindas.
 


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