Do cata-vento ao rádio digital 25

Publicado em: 13/04/2008

Sábado a tarde, o nosso primeiro sábado na Ilha, foi brindado com a anunciada visita ao Praia Clube. O nome identificava a sede balneária do Clube Doze de Agosto, o point da jenesse doré da Ilha de Santa Catarina e arredores, como se dizia.
O Praia Clube está instalado na primeira das três pequenas praias que formam uma espécie de colar multicor a embelezar a magia do bairro de Coqueiros, na parte continental da cidade. O trajeto do centro ao bairro, apesar de pequeno parecia longo face às más condições do calçamento das ruas.

Logo depois das duas da tarde a turma foi chegando e se acomodando na área da praia, bem em frente ao bar. À tarde ensolarada convidava ao banho de mar e ao consumo de cervejas bem geladas. O grupo formado pelo anfitrião Humberto Mendonça, estava enriquecido da presença de outros forasteiros como Adolfo Zigelli e Alfredo Silva.

Na verdade éramos todos estrangeiros. Três catarinenses do interior – Adolfo, vindo de Joaçaba, Humberto, de Araranguá e Alfredo, de Tubarão –, Edwin paranaense e eu gaúcho, todos recém chegados à Capital. O curioso é que já naquele momento o grupo era motivo de interesse de outros rapazes e garotas que iam se apresentando à medida que chegavam e logo participavam das conversas inconseqüentes que geralmente rolam nesses momentos.

Humberto, um morenaço de cabelos negros e olhos esverdeados sorridentes, emérito contador de piadas era o centro das atrações. Alfredo, moreno claro, franzino, era logo percebido por ostentar reforçado bigode no estilo Clarke Gable. Edwin, pelo porte avantajado de gladiador inglês da Idade Média, logo era destaque quando levantava para pegar mais uma birita no bar. Adolfo Zigelli, o Galego, perfil germânico cruzado com o charme do ator James Dean, ídolo da juventude da época, chegava a ficar meio sem jeito com os olhares femininos que por ostensivos, levavam a outros olhares também arrebatadores. E eu, por estar entre os mais altos e manter razoável equilíbrio entre peso e altura acabava também sendo notado pelo contraste generoso do castanho dos cabelos com o azul claro dos olhos.

Sem falsa modéstia, se análise se mantivesse nas aparências nós até que estávamos razoavelmente bem servidos. Até aqui tudo corria bem. A Baía Sul é linda, a Ilha vista do Continente é um cartão postal, conhecêramos uma porção de gente interessante. Até alguns flertes haviam rendido.

Lá pelas cinco da tarde, sol se escondendo atrás da Pedra Branca, nas fraldas do Cambirela, o Humberto convida:

– Pessoal vamos pegar uns beliscos pra tapear a fome.

Foi até o bar, fez o pedido, trouxe mais umas cervejas e informou:

– Encomendei uns frutos do mar pra vocês irem se acostumando com a nossa comida do litoral.

A fome, de fato estava marcando presença. Então, o que viesse seria bem aceito. Foi com esse pensamento que os neófitos, uns quinze minutos depois entravam no bar para conhecer as especialidades da casa: camarão frito e ao bafo, bolinho de carne de siri e mariscos, uma montanha de mariscos com casca.

Humberto e Alfredo, acostumados com essas iguarias, se serviam e faziam questão de nos oferecer camarões já descascados e mariscos retirados das conchas, incentivando-nos para experimentássemos. Dos três, Zigelli, Edwin e eu, o que se sentia mais “peixe fora d’água” era mesmo eu, que de mar, só comera filé de peixe. Por mais que quisesse parecer gentil, aqueles bichinhos cheios de perninhas desengonçadas e aquelas placas retiradas de dentro das conchas me deixavam com o estômago em polvorosa.

Resultado, o Edwin encarou os moluscos, o Zigelli saiu pelas pontas comendo uns três ou quatro camarões e eu praticamente acabei com os bolinhos de carne de siri, que estavam realmente saborosos.

Foi o nosso batismo. E para concluir este capítulo de forte conteúdo “society” ali selamos uma amizade para o resto da vida. Trabalhamos juntos durante muitos anos, nos tornamos compadres uns batizando os filhos dos outros e fomos também padrinhos de casamento uns dos outros.

Na próxima semana voltaremos às atividades profissionais. Afinal, este é o relato da vida profissional de um certo Menino do Itapevi.


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