Do cata-vento ao rádio digital 28

Publicado em: 04/05/2008

Mais do que sobreviver, o compromisso era vir, ver e vencer. Selecionar parceiros, implantar regras de conduta, definir compromissos e atuar coletivamente para construir a “nossa rádio”.Em pouco mais de dois meses estava formado nosso núcleo. Uma comunidade em que as funções de cada um indicavam a especialidade profissional do grupo. Adolfo Zigelli, Alfredo Silva, Antunes Severo, Edwin Scott Balster e Walter Zigelli, os alienígenas que por circunstâncias diversas, mas com um objetivo profissional único, optaram por viver em Florianópolis trabalhando na Rádio Diário da Manhã.

Ao Edwin, por ser mais velho couberam as responsabilidades de líder, moderador e xerife da tribo. Sim, precisávamos de todas essas funções porque nossas necessidades iam de conselheiro sentimental a defensor da integridade física nas pendengas que às vezes armávamos em noites de boemia.
Na emissora, assumimos nossas posições: Adolfo e Walter, jornalismo: redação, reportagem e apresentação; Alfredo, locutor, radioator e narrador de esportes; Edwin, sonoplasta e auxiliar técnico e eu locutor noticiarista e animador de programas de auditório com passagens pela apresentação e narração de novelas.

A par dessa força-tarefa contávamos com astros de reconhecido brilho como coadjuvantes: Augusto Mello, rádio-escuta e sonoplasta; Dino Bortoluzzi, rádio-escuta e repórter; Vidomar Cardozo, o CDZ, rádio telegrafista – recebia e traduzia o noticiário da UPI, United Press International; e Augusto Casér, responsável pela previsão do tempo.

Estava criada a Divisão de Radiojornalismo sob a direção de Adolfo Zigelli, da qual tive a oportunidade de participar até 1964 quando deixei a emissora. Através deste trabalho surgiram as bases para o que mais tarde se transformou no primeiro Manual de Redação do radiojornalismo de Santa Catarina de autoria do próprio Zigelli.

Paralelamente foi estruturado o departamento de esportes chefiado por Humberto Fernandes Mendonça, locutor, redator e narrador; Alfredo Silva, locutor e narrador; Edgard Bonassis da Silva, narrador e comentarista; Rubens Cunha e Lauro Soncini, comentaristas; Rozendo Lima e Mauri Dalgrande Borges, repórteres, redatores e apresentadores de esportes amadores.

Implantadas as áreas de jornalismo e esportes e com os setores de radioteatro e musical em pleno funcionamento, Francisco Mascarenhas completava seu sonho de uma emissora de rádio moderna, dinâmica e competitiva com o que havia de melhor no país. Nascido em São Francisco do Sul, Francisco Mascarenhas trazia de sua cidade a experiência de haver montado com sucesso a primeira emissora de lá; via agora projetar-se nacionalmente mais esta etapa de seu trabalho como diretor de uma grande emissora.

Francisco Mascarenhas, na realidade era o grande artífice do sucesso de todos nós. Simples, modesto e trabalhador inspirava confiança e sabia reconhecer os limites e o valor de cada um. Em menos de dois anos construiu um patrimônio que só foi destruído por equívocos e impropriedades muitos anos depois.
Naquele momento sentimos que o caminho estava definido. Agora era chegada a hora de transformar o sonho em realidade.


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