Do cristal de galena à válvula termoiônica

Publicado em: 17/02/2014

Há poucos dias ousei descrever alguns dados sobre o aparecimento da válvula termiônica, a qual determinou a era do wireless.  Porém, a comunicação à distância sem o uso de fios teve um “momento zero”, um período inicial anterior aos transmissores e receptores valvulados.  Aliás, a mente humana, quando desafiada, é pródiga em encontrar soluções eficientes, mesmo que transitórias. Desta forma, rendo homenagem a nossa nostálgica e inesquecível “galena”.

museu-radioEstes primitivos receptores usavam um mineral, o sulfeto de chumbo, para que funcionasse como o silício dos atuais diodos. O nome genérico do sulfeto é “cristal de galena”, o que gerou a simplificação no nome daqueles “rádios”: as galenas! O cristal faz a detecção das ondas de áudio (som, voz, música, etc.) emitidas pela estação transmissora.  Os receptores com cristal de galena não necessitam de fonte de energia elétrica como pilhas ou rede domiciliar. Eles foram industrializados até a década de 1930, para possibilitar a audiência às populações mais pobres ou distantes. Na foto ao lado, um receptor com cristal de galena, detektor-empfänger, marca Heliogen, fabricado na Alemanha em 1932.

As ondas eletromagnéticas são captadas através da antena e vão a terra. Nesta passagem, elas serão sintonizadas por uma dupla, a junção de uma bobina (L) a um capacitor (C).  Variando o capacitor, muda-se a frequência deste par LC e assim, capta-se a emissora desejada. A audição, feita por um par de fones, dependendo da potência e da distância da antena transmissora, era fraca, mas absolutamente audível.

museu-radio-2Inobstante a continuidade do uso da galena, incentivada pelos governos dos anos 1930, a década de 1920 viu a expansão do uso das válvulas. E na mesma proporção em que cresciam os modelos, seus gabinetes e circuitos, houve um aprimoramento da válvula termoiônica. Nasciam os primeiros receptores com uma ou duas válvulas. Na foto ao lado, um receptor monovalve, modelo 453, construído na primeira metade dos anos 1920 na Alemanha, marca Lündstrom-Telefunken.

Abaixo, um sintonizador bivalve modelo Weconomy Tuner, fabricado pela empresa Western na Inglaterra, em 1924.

radio-weconomy-tuner

valvulas

Na foto acima, merecem destaque as duas válvulas com o bulbo em vidro incolor na fileira de baixo, construídas entre 1922 a 1925. São a UV199 da RCA – Radio Corporation of America e na sua direita a UV200, da GE – General Electric, empresa fundada por Thomas Alva Edison.

lee-forest A curiosidade é que, após a criação dos primeiros aparelhos experimentais à válvula, não havia o nome “rádio”.  Ainda nos primeiros passos, Lee De Forest, o criador da válvula moderna, procurava um nome para as suas invenções. Na época, o nome dado era wireless, hoje tão moderno… Entretanto, De Forest estava desgostoso por denominar a novidade por um termo tão comum (sem fio), pois era um termo negativo e não traduzia bem em outros idiomas.

Em meados de 1906, um amigo lhe apresentou um dispositivo para produzir uma luz mais brilhante num lampião com querosene, batizado de Radiolite. Impressionado com o Radiolite, ele aprovou e consagrou o nome Rádio, de “radiante” (em todas as direções), também como um agricultor e suas sementes. Deste último, originou-se o popular broadcasting, “semeado à mão”.  Na foto acima, Lee De Forest em 1915.

Assim, o termo rádio e seu gigantesco crescimento técnico e comercial invadiu a década de 1930. O maior criador de circuitos de rádio, o norte-americano Edwin Armstrong, foi o responsável pelo Circuito Regenerativo, em 1912, e pelo desenvolvimento do Circuito Super-Heteródino (1918), como até hoje é usado. O mesmo Armstrong criou, em 1933 o sistema de transmissão e recepção em FM – Frequência Modulada.

Do cristal de sulfeto de chumbo das galenas, a evolução seguiu para a válvula termiônica, para, logo a seguir, retornar ao reino mineral, o do silício!

Nota do Editor: As fotos deste artigo são reproduzidas com autorização do autor, Daltro D’Arisbo.

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