Do Tango e do Bolero

Publicado em: 31/08/2005

Paralelamente ao samba brasileiro, o tango e o bolero ajudaram a fixar a década dos anos 50 como a “era de ouro” do rádio e do romantismo musical, especialmente nos estados do sul do país.
Por Agilmar Machado

Antes do bolero, surgiu o tango. Chegou elegante, sensual, quente e ritmado como sua origem (2×4).  Se por um lado se escutava Gardel (que morrera com o compositor e jornalista brasileiro Alfredo Le Pera num acidente aviatório em Medellín, Colômbia), por outro impôs sua posição um maestro uruguaio nacionalizado argentino: Francisco Canaro. Sua orquestra marcou presença no Brasil desde que o primeiro tango foi gravado e prensado na América Latina. Esse evento teve lugar quando Canaro, viajando a bordo do navio El Toro, aportou na capital gaúcha em 1914 para fazer uma gravação completa do seu tema “El chamuyo”. Foi o disco número 0001 da Casa A Electrica, de Porto Alegre, cujo proprietário – italiano nato – recentemente adquirira todo o equipamento na Europa.

Rico e poderoso como era, Canaro encomendou a série em caráter particular e administrou a distribuição do disco na Argentina no mês de novembro do mesmo ano.

Depois sua orquestra voltou muitas vezes ao Brasil. O maestro viajou pelo mundo inteiro, especialmente pelos países da Europa.

Praticamente inaugurou-se a era do tango por uma orquestra rio-platense no Japão.

Das orquestras que administrava, além da sua própria, mandou a dirigida por seu irmão, Juan, testar a preferência japonesa. Deu
certo. Meses depois ele próprio estaria na terra do sol nascente…

Depois da fama de Canaro por aqui, vinham outras orquestras, trios e conjuntos, mas foi Canaro o mais conhecido nesta região do Brasil.

Chegou o bolero, doce importação mexicana. Ritmo dolente e açucarado, conseguiu, desde José Mojica, Alfonso Ortiz Tirado, Pedro Vargas, Chucho Martinez e tantos outros, o que mais tarde marcaria a cadência dos enamorados, especialmente nas vozes de Gregório Barrios (que era espanhol) e do Trio Los Panchos.

A marca registrada do bolero com esse cantor solista e o afinado conjunto, rendeu vários imitadores. Praticamente todos os que vieram depois.

Os brasileiros, “cantores bolereiros”, foram vários e souberam fazer escola e despertar corações apaixonados. Como o tango, também o bolero ganhou versões belíssimas.

Não havia uma rádio que não tivesse na programação um esmerado programa de meia hora de boleros ou tangos. Geralmente eram
ornamentados com melosos poemas.

Como traziam “status” para quem as apresentava, essas audições radiofônicas…

Nem era preciso muita conversa para conquistar muitos corações apaixonados. Bastava oferecer um poema (de J.G. de Araújo Jorge…), um tango ou um bolero, e tudo estava arrumado…


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1 responder
  1. sidnei maciel da silva says:

    onde posso encontrar o disco de j.g.de araujo do tango e do bolelo

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