Dois tempos da imprensa

Publicado em: 21/07/2012

A imprensa em dois tempos, poderia ser título de um grande ensaio sobre a importância da comunicação para a democracia e o comportamento de alguns setores que vêem o seu mundo em volta, com um olhar vesgo e cheio de defeitos. Numa primeira análise, observe o comportamento de alguns órgãos de comunicação e especialmente da televisão no tratamento de assuntos ligados a violência e aos crimes de modo geral. No mundo das grandes redes a Globo, por exemplo, vem se destacando entre as que mais se dedicam a transformar bandidos, assassinos, em celebridades, dando grandes espaços em seus noticiários para cobrir as ações de criminosos com detalhes que vão desde a formação e infância do bandido até sua entrada e primeiros dias na prisão.

O último personagem focalizado é a mulher do empresário paulista que foi morto e esquartejado por ela. A assassina ganhou recentemente matéria de destaque no telejornal diurno da rede com direito a comentários cobre seu comportamento suave, macio e as boas maneiras e simpatia que estariam conquistando colegas de presídio.

A mulher mata o marido com crueldade que só se vê em filmes de horror, é presa e a televisão se dá ao trabalho de produzir matéria que em última análise só interessa a assassina. Matou, foi presa, acabou. A partir desse momento o caso está com a justiça. Só deve ser notícia no dia em que terminar o julgamento e for lida a sentença do Juiz. O resto é promoção para fazer de uma pessoa que matou outra, uma celebridade que aparece com destaque nos noticiários da grande imprensa: TV et caterva.

Outro tempo da imprensa, neste despretensioso comentário é a redução do número de jornais numa das capitais mais ricas do país.

Curitiba que já teve mais de quatro empresas com jornais de circulação diária, está atualmente com apenas uma, que edita a Gazeta do Povo e a Tribuna do Paraná, recentemente adquirida do ex-governador Paulo Pimentel.

Apenas uma empresa domina o mercado de quase três milhões de habitantes que ficaram sem outras opções.

A Capital paranaense já contou com jornais de boa circulação diária e excelente qualidade editorial e gráfica: Diário do Paraná, Gazeta do Povo, Diário da Tarde, O Estado do Paraná, Tribuna do Paraná e Jornal de Curitiba.

Enquanto em outros estados do Sul se amplia a máquina de informar, no Paraná esta fica cada dia menor, menos atraente, criando mais problema para  centenas de jovens jornalista que deixam as faculdades sonhando com uma oportunidade de trabalho e, quando vão ver esbarram com a realidade dura e cruel: a falta de emprego.

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