Dona Alexandra

Publicado em: 29/05/2012

Dona Alexandra Nuzhdina deve ser uma robusta matrona soviética dessas que acordam citando Marx e que dormem entre Lenin e o marido, que é para construir o socialismo com mais rapidez.  Pois dona Alexandra espinafrou as mulheres russas num artigo de 900 palavras, publicado pelo Pravda. Em primeiro lugar, a disposta senhora diz que o lugar de mulher saudável é na fábrica e não no quintal da sua casa mascando sementes de girassol, que deve ser o LSD lá deles. Já aí, a gente não concorda.Fico pensando, por exemplo, no drama de Zury Machado, noticiando um gossip na sua festejada coluna:   Um sucesso o macacão de brim da senhora Margarida Poucarropa, combinando maravilhosamente com seus lindos sapatões de couro cru.

Ou, então, o bom Celso Pamplona, com algumas notinhas sobre o último concurso da fábrica Pelapátria: A senhorita Juventina Balzac vestia calças de zuarte, com bainha larga, sem costura. Foi muito elogiada a economia que conseguiu, remendando a camisa herdada de sua gentil mamã.

Mais adiante, dona Alexandra, que tem o título de heroína socialista, denuncia que “caminhamos para corromper o comunismo, com mulheres preguiçosas, que bebem e são amantes da vida tranquila”.

E a heroína descarrega mais oitocentas e tantas palavras, entre as quais, os 300 adjetivos qualificativos.

Em resumo, ela acha que assim não e que o socialismo soviético vai pro brejo se as meninas russas à onda avassaladora que vem do ocidente.

Interessante, nisso tudo, é que outra matrona, a senhora Svetlana Stalin também pensava assim. De repente, mudou de ideia e no seu último livro chega ao ponto de afirmar que o seu bigodudo papá não passava de um monstro cruel e de um frio assassino.

De qualquer forma, acho que o setor mais prejudicado, a vingarem as teses de dona Alexandra, será fatalmente a crônica social, de tantos vastos relevantes serviços prestados ao país.

E concordo plenamente com a opinião de um cronista que não vem ao caso identificar. Ele acha que dona Alexandra é Alexandre mesmo e que a boneca faria muito bem se fosse dar as suas badaladinhas na Sibéria.

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No Instituo de Educação os professores têm de usar guarda-pó durante as aulas. Aliás, guarda-pó é uma denominação meio boba, assim como guarda chuva, afinal, eles não são feitos para guardar coisa nenhuma, mas com isso não tem nada a ver com o assunto, vamos adiante. A direção do estabelecimento concluiu que a moda anda muito avançadinha no Instituto e o guarda-pó serviria para tapar os gentis joelhos das mestras bem dotadas, evitando olhares entusiasmados dos garotões. A mini saia também foi regulamentada e retornada aos quadros constitucionais vigentes: nada mais de cinco centímetros acima dos joelhos, para que as graciosas meninas não perturbem a boa marcha dos estudos.

Como se vê, está começando a reforma do ensino em Santa Catarina.

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Sérgio Porto, referindo-se a empregadores cariocas que demitiram funcionarias pela uso da mini saia, alegando justa causa: O mais perigoso em tudo isso é que tem gente confundindo justa causa com calça justa.

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Meu prezadíssimo Silveira Lenzi está uma fera. Na edição de 12 do corrente do jornal A GAZETA, muito bem dirigido pelo Lenzi, legenda de uma fotografia saiu assim: A queda da temperatura caiu assustadoramente em Florianópolis.

Isso é que é susto.

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Nome de uma firma que instalou um parque de estacionamento de automóveis em Curitiba: Parque Liberdade Limitada. Que gente mais sutil!

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Em Brasília, um deputado reuniu um grupo e anunciou que estava se desquitando. Ante a surpresa geral, justificou-se:            Quem pediu o desquite foi minha mulher. Principalmente depois de descobrir que eu tinha uma sublegenda em Copacabana.

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Aliás, sobre a sublegenda, uma frase definitiva do deputado Mário Maia: O Brasil vai sair do regime bipartidário, para entregar no regime monopartidário.

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Com as intermináveis filas da ponte Hercílio Luz continuam massacrando a paciência dos motoristas e de todo o mundo. Foi lançado, com amplo sucesso e merecido aplauso, o mais novo palavrão da cidade: Fila-da-ponte.

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