Donato Ramos lembra momento mágico da música jovem em Florianópolis

Publicado em: 30/03/2011

Snakes e Donato (camisa branca e paletó escuro)

Colaborador bissexto do Caros Ouvintes, mas fã incondicional do site, Donato Ramos, volta e meia nos brinda com preciosidades do seu multivariado acervo. Dessa vez ele enviou a foto que ilustra a matéria e que nos motiva a volta no tempo e retomar os primeiros passos da banda Snakes criada por quatro jovens no verdor da adolescência, pois tinham – os mais velhos – apenas quatorze anos. Waldir, o líder, era o mais famoso por ser filho da jornalista Lourdes Silva. Os demais, colegas de colégio também tinham suas referências familiares. A todos, porém, faltava uma pequena coisa: ninguém sabia tocar nada, nenhum instrumento. Mas, não se apresse porque a história vai contada em reportagem do Diário Catarinense de 02 de maio de 2004. E no podcast você poderá ouvir trechos do sucesso alcançado pela rapaziada num programa de rádio transmitido diretamente do palco do Teatro Álvaro de Carvalho, então o mais importante da cidade. O animador da apresentação era o radialista Antunes Severo.

Os “cobras” da primeira banda

Em 1963, os adolescentes já faziam shows pelo Estado tocando Elvis e Beatles e, três anos depois, gravavam no Rio

Uma música dos Beatles soando pela rua foi o começo de uma época inesquecível para quatro jovens de Florianópolis. Waldir, Miro, Alfredo e Zênio tinham 13 e 14 anos, mas nunca esqueceram como tudo começou: era domingo, começo de 1963, e os quatro estavam reunidos perto da Praça XV, como costumavam fazer numa cidade de poucos atrativos para os jovens. De repente, uma loja de discos colocou na vitrola o recém-chegado LP de um grupo de ingleses. Era Love Me Do, dos Beatles. “Nós paramos. Nunca tínhamos escutado nada parecido”, conta Waldir. Os quatro decidiram: também iam ter um banda.

O primeiro probleminha – nenhum sabia tocar – seria resolvido com aulas. Durante meses, os garotos ensaiaram. Para não enlouquecer os pais e a vizinhança, revezavam as casas – quando começavam as reclamações, passavam a tocar na garagem de outro integrante, e assim por diante. O inglês foi treinado à exaustão com o professor Sullivan, responsável também pela escolha do nome da banda: o grupo de meninos, que já era conhecido como os Cobras, virou The Snakes. Nascia então a primeira banda de rock de Florianópolis.

No fim daquele ano, The Snakes já faziam shows tocando covers de Elvis, Beatles e tudo o mais que agradasse a moçada. Dos clubes Doze, Lyra ou Paineiras, da Capital, os meninos passaram a viajar pelo Estado. “Em Santa Catarina, não tinha para ninguém”, gaba-se Alfredo. Ganhando festivais e brotos, estrelando bailes ou lotando o Teatro Álvaro de Carvalho, os garotos conheceram a glória de ser astro de rock. Tinham fã-clube, davam autógrafos, fugiam das garotas que tentavam rasgar suas roupas. Florianópolis começava a ficar pequena para os cobras.

Em 1966, o grupo – agora mais completo, com o tecladista Ney – parou o trânsito da movimentada rua Felipe Schmidt, Centro de Florianópolis, tocando em cima da marquise de uma loja. Com o dinheiro do show – pago pela loja, que queria divulgar sua liquidação -, os meninos puderam se aventurar no Rio de Janeiro. Lá, participaram de programas de TV, ilustraram reportagens de revistas sobre o tal “ritmo alucinante” que se espalhava pelo país e gravaram um LP. O nome, porém, teve que ser mudado: Snakes já denominava uma banda carioca que reunia “cobras” como Erasmo Carlos. No disco dos adolescentes de Florianópolis (só Alfredo tinha mais de 18 anos), a banda aparece como Os Rubis, nome encontrado às pressas pela gravadora.

No ano seguinte, no auge do sucesso, a banda terminava: alguns casaram, outros tiveram que seguir os estudos. Hoje, Zênio Cardoso (que seguiu na música), o administrador aposentado Waldir Pessoa e Alfredo de Sá, autônomo, ainda moram em Florianópolis. Miro morreu há alguns anos e Ney vive no Rio. Os três amigos gostam de lembrar daqueles tempos. “Foi a melhor época da minha vida”, diz Alfredo.

Aqueles bons tempos viram nascer outras bandas. Em Rio do Sul, um jovem também se empolgava com a música diferente que chegava de Londres e dos Estados Unidos pelo rádio de ondas curtas. Aluízio Amorim, hoje jornalista, criou então The Singles, que rivalizavam com os Snakes nos agitos do Estado. Em Florianópolis, surgiam The Saints, Os Mustangues, Comunidade, Burn e muitas outras. O Burn, neste ano, voltou à ativa.

Multimídia

Miro, Zênio, Alfredo e Waldir eram The Snakes, o grupo de rock que agitou as festas de Florianópolis nos anos 60

DC 02/05/2004 – Variedades | Comportamento

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