Duas fazendas que viraram bairro chique no coração da Ilha

Publicado em: 07/04/2012

Em noites enluaradas ou madrugadas de verão subia-se o rio Itacurubi com mini embarcações, como minha pequena baleeirinha. Depois a região virou depósito de lixo e em pouco tempo se transformou num lixão que é um verdadeiro crime contra comunidades inteiras. Nossos passeios pelo pequeno rio da Fazenda São Francisco de Assis pelo loteamento que é hoje o bairro Santa Mônica.  Ali era um dos locais preferidos para os acantonamentos e acampamentos do Grupo Escoteiros do Mar.

Outra fazenda que fez história em nossa juventude foi a Assis Brasil onde funcionava o Campo Experimental do Ministério da Agricultura. Nessa fazenda emoldurada pelas fraldas do Monte Verde reinava a fantástica Cidade das Abelhas rodeada pelos canteiros de aclimatação de frutas, grãos e hortaliças exóticos, vindos de outros países. Muitos bivaques com os Lobinhos do Grupo Escoteiros do Mar foram ali realizados com toda a segurança e conforto que a meninada requeria.

Foram-se os tempos do Parque do Itacurubi com os rios compunham a Bacia e o Mangue daquela Região, hoje objeto de discussão e de conquistas que estão longe da preservação então sonhada, como defendia, por exemplo o Chefe Pedro Agostinho da Silva. Seu pai, professor George Agostinho da Silva – exilado político português, que fora Reitor da Universidade de Coimbra e aqui em Florianópolis, era diretor Estadual de Educação e Cultura e professor da UFSC – também liderou campanha para que a universidade federal distribuísse suas faculdades pelas diversas fazendas existentes na município e cidades vizinhas evitando, o já previsível caos do sistema de transportes na Ilha.

Agora, cinquenta anos depois, os últimos idealistas de nossa Ilha voltam a falar em Jardim Botânico embora a devastação continue no Campeche, na Joaquina, no Rio Vermelho e Costão do Santinho, entre outros.

Ser Escoteiro do Mar, também é remar contra a maré, lutando contra a correnteza poderosa desse satanismo destruidor que atrai especuladores e bandidos para nosso maltratado e quase destruído paraíso.

Escoteiro ou ecochato?  Ou vítimas de uma realidade triste que o progresso sem planejamento transformou em fracasso de cada um de nós?

E o que dizer, então da destruição que se faz no Sul da Ilha, sem dó nem piedade contra a Armação do Pântano do Sul, Lagoinha do Leste, Pântano do Sul e Complexo do Naufragado?

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