Duro é voltar à realidade!

Publicado em: 12/10/2009

Foram mais de 30 dias de total refúgio espiritual e descanso físico! Todo cidadão, acima dos 60 anos de idade, merece ter um mês por ano de irrestrito convívio com a natureza, em lugar ignorado (e não sabido), sem rádio, TV, internet, celular etc.

Foi um período espetacular de retiro voluntário vivido por este locutor que vos fala. Boa alimentação, dormindo cedo e levantando com o cantar dos galos de uma fazenda à beira-mar, ainda não atingida pelo progresso tecnológico.

Corpo e alma de bem com a vida, como eu havia imaginado ser o dia a dia em Passárgada. Posso dizer que nesse paraíso “fui amigo do Rei”.

Estou de volta ao meu aconchego, que fica na Granja Viana, um quieto lugarejo, distante 30 kilômetros da Praça da Sé, em São Paulo, onde ainda há bom ar e um bem-estar próprio de cidade do Interior, apesar da invasão populacional e comercial dos últimos anos.

Não fossem o intenso tráfego da Raposo Tavares, principal rodovia, e o trânsito incrível que se enfrenta na capital paulista, morar aqui não seria muito diferente viver no maravilhoso pedaço que tive o prazer de conhecer nesta morada surpreendente e inesquecível.

Confesso que estranhei bastante no início da estada em “Passárgada”. Menos do que ocorreu com o retorno à realidade, com meus ouvidos tendo que se reacostumar à barulheira nervosa da cidade grande (volta e meia tenho que ir a São Paulo).

Além de leitura, me exercitei bastante, andei e fiz corridas diárias, o que fez bem ao meu coração e baixou o índice da danada diabetes. Foram realmente muito bons os dias de descanso.

Recomendo esse tratamento de “choque” para todos os ouvintes leitores sexagenários (que palavra horrível essa, me recuso a aceitar essa denominação) como eu e não me venham com aquela conversa mole de que somos insubstituíveis e que não podemos parar de trabalhar.

P.S.M. Post Script Musical homenagem à Mercedes Sosa, falecida aos 74 anos de idade no domingo (4/10). Gente como a grande cantora argentina deveria ficar pra semente, como diziam os antigos, imune ao ato inexorável da morte.

De imenso talento e de forte personalidade, ela liderou a resistência de artistas contra os regimes de governos ditatoriais que nos anos 60 e 70 reinaram em alguns países da América – Latina, Argentina e Brasil, principalmente.

Mais do que excelente intérprete musical, o mundo perdeu uma extraordinária mulher, artista e cidadã, legado de exemplo de luta ao autoritarismo e pela volta da democracia.

• Mercedes Sosa – 9 de julho de 1935/4 de outubro de 2009

Foto de Patr?cia Secatti

Foto de Patrícia Secatti

Gracias a la vida – de Violeta Parro / Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio dos luceros que cuando los abro / Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en el alto cielo su fondo estrellado / Y en las multitudes el hombre que yo amo.

Gracias a la vida que me ha dado tanto / Me ha dado el sonido y el abedecedario
Con él las palabras que pienso y declaro / Madre amigo hermano y luz alumbrando,
La ruta del alma del que estoy amando.

Gracias a la vida que me ha dado tanto / Me ha dado la marcha de mis pies cansados
Con ellos anduve ciudades y charcos, / Playas y desiertos montañas y llanos
Y la casa tuya, tu calle y tu patio.

Gracias a la vida que me ha dado tanto / Me dio el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano, / Cuando miro al bueno tan lejos del malo,
Cuando miro al fondo de tus ojos claros.

Gracias a la vida que me ha dado tanto / Me ha dado la risa y me ha dado el llanto,
Así yo distingo dicha de quebranto / Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto / Y el canto de todos que es mi propio canto.

Gracias a la vida / Gracias a la vida / Gracias a la vida / Gracias a la vida.

 

2 respostas
  1. Vera Lúcia Correia da Silva says:

    Caro amigo,
    com certeza, duro é voltar à nossa realidade caótica, depois de 1 mês de total despreendimento e relaxamento, mas que bom que voltou, estava com saudade de seus comentários.
    Aliás, justa homenagem à Mercedes Sosa!
    Feliz retorno!
    Abraços,
    Vera Lúcia

  2. Gilberto Fontoura says:

    caríssimo Jair….
    já estava preocupado com a sua ausência…
    e quero sugerir aqui matéria:
    maneira amiga, figalga, como recebiamos (nós radialistas)os artistas que faziam “parada” em Curitiba, para promover seus discos. Lembra do Jair Rodrigues, eu, você e a Maricélia, no restaurante Iguaçu ?
    E da Eliana Pittmann ? (ela e a mãe não saiam lá da Independência) A Eliana chegou a fazer uma curta temporada em Curitiba. Uma ocasião a Elis Regina chegaria no Afonso Pena e tivemos logo a idéia: um bouquet de rosas para recebe-la temerosos de que não nos desse entrevista…. . E aí eu fui feliz e consegui driblar a segurança e tice acesso ao avião na pista, entrando pela porta traseira…. quando me aproximei da pimentinha estendi as flores e elaficou encantada. Descemos e ela contando tudo (gravador).Era nossa maior estrela e o “Fino” estava no auge. Voce Jair tbém só aprontava. A Exposição Feira trouxe muitos artistas para shows noturnos…. Você bolou e conseguiu uma gralha azul (simbolo do Paraná) e subi ao palco naquela noite, interrompendo o show do Rei (imaginem….) para entregar a gaiola com o curioso e assustado pássaro….. . A Cely Campelo foi um achado. Estava residindo em Curitiba. Pronto. Programa direto da casa dela. O Erasmo Carlos e toda a troupe do Roberto no Guaíra Palace e conseguimos: o Erasmo comandou, ao vivo, do quarto do hotel, uma hora de programa na Independência, anunciando músicas, cantarolando… fazendo o âncor…. bons tempos….
    Abs. Gilberto.

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