Dúvidas

Publicado em: 17/07/2012

Posso até ser chato com a insistência, mas não tenho muitas ilusões sobre os efetivos resultados de certos planejamentos que fazem a alegria de crte tecnocracia acadêmica. Faço imediatamente uma ressalva para que nenhum dedo duro venha acusar-me de burro ou atrasado, se bem que pouco me importe o juízo desse tipo de “técnicos”. É que acredito nos planos feitos com a cabeça fria, mas descreio integralmente das fantasias importadas, mal assimiladas e ajeitadas numa estrutura totalmente diversa da original. Quando se fala em cronograma, então, é preciso tremer. Somente no setor educacional brasileiro, cinco ou seis planos chamados de “emergência”, deram em água de barrela. E aí está o instável senhor Tarso Dutra às voltas com outro plano, agora batizado de reforma.

Os senhores estão lembrados da famosa e retumbante Carta de Brasília , a redenção da agricultura nacional? Acho que não botaram a carta no correio ou, então, o vento a levou. Porque a agricultura nacional não foi redigida, continua em pecado mortal, ameaçada com o inferno. Mesmo porque o senhor Ivo Arzua não tem jeito para redentor de coisa nenhuma.

Um bom plano pressupõe a existência de bons dados estatísticos e quando se fala em estatística, no Brasil, a vaca vai pro brejo, estamos em plena era da pedra lascada.

A Sudesul, por exemplo, publicou na edição de 30 de junho do gordo jornal “O Estado de São Paulo”, uma análise da região Sul do país. E nos dados da Sudesul está a população aproximada de Florianópolis em 1971: 117 mil habitantes.

O IBGE, na semana que passou, divulgou monografia sobre Florianópolis. População em julho de 1967: 126.865 habitantes.

Não sabemos quantos somos.

Mas a fúria planificadora está no apogeu, consumindo papel, tempo e dinheiro.

Eu gostaria de saber simplesmente com que mágica extraordinária fazemos os nossos planos baseados em números absolutamente fantasmas.

Se alguma alma caridosa e disponível prontificar-se a deixar as celestes paragens onde planifica, iluminando com clarões de sua inteligência a escuridão lamentável das minhas dúvidas, a família penhorada agradece.

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O ex-prefeito de Belo Horizonte (cassado pela Revolução) resolveu criar vacas leiteiras e, segundo as notícias O senhor Jorge Carone está se dando muito bem. O pitoresco da história é que as vacas do senhor Carone não se chamam Malhada ou Bonita e foram batizadas com nomes mais sugestivos. Uma delas a Fardada conseguiu o segundo lugar na Exposição de Miracema, produzindo 26 litros por dia. Outra se chama Subversiva e divide o curral com a Comunista. Segundo os peões da fazenda, a que mais dá trabalho é uma vaca velha, cheia de manhas. Seu nome: Corrupta.

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Frase do deputado Fernando Viegas: Automóvel de florianopolitano é igual a cavalo de padeiro. Quando chega perto da ponte começa a ter tremores, funga, guincha e para.

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Paulo Autran chegou e desancou todo o mundo por causa das condições do teatro. A coisa funcionou. Quem sabe o chamem para solucionar a questão da ponte? Basta um discurso de saudação às autoridades.

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Portugal construiu uma ponte sobre o Tejo, inaugurada no dia seis de agosto de 1966. Os trabalhos foram iniciados em novembro de 1962, durando, portanto, menos de quatro anos. A pista tem 2.300 metros e quatro faixas. As duas pistas laterais são cimentadas e as interiores de pavimento metálico. A altura das torres principais, acima do nível d’água é de 190 metros e meio, com uma profundidade de 80 metros. Cada cabo de amarração tem um diâmetro de 60 centímetros. O comprimento do vão principal é de 1.012 metros. Para dar acesso à ponte foi construído  um trevo rodoviário, atingindo, em ambas as margens, 30 quilômetros. Os acessos obrigaram a construção de 32  estruturas. O grande viaduto da margem norte tem cerca de um quilômetro de extensão, vãos de 76 meros. A ponte sobre o Tejo tem 23 mil toneladas de elementos de aço T1 e Tritene, destinados aos caixões de fundação e ao tabuleiro.

Para construir a obra foi criado o Gabinete da Ponte.

Em menos de quatro anos , os trabalhos estavam terminados.

Aqui, para uma acamada de asfalto de 800 metros de pista, já entramos no ano nove.

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O asfalto que está sendo utilizado na pavimentação de alguns trechos da BR 101 é de qualidade inferior. A denúncia surgiu na semana que passou e não houve desmentido nem confirmação. Na linguagem dos engenheiros ou, mais precisamente, no seu jargão profissional, o tipo de asfalto que está sendo usado tem o sugestivo nome de “omelete”.

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A Biblioteca Pública não é lá um exemplo de limpeza e de cuidado. Um dos cupins ali domiciliados – apelidado Dr. Jivago – conseguiu a façanha de atravessar uma coleção de quarenta volumes. A Divina Comédia, se não me engano.

É o cupim mais ilustrado do Brasil.

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