E ainda disseram que a entrevista saiu ótima…

Publicado em: 21/10/2007

Lá por 1953, comecei a comentar sobre futebol no Jornal A Folha, de Jaguarão (RS), cujo proprietário era meu primo Anysio de Souza Resem. E ainda de lambujem também me tornei correspondente da Folha da Tarde Esportiva, de Porto Alegre.
Por José Alberto de Souza

Logo em seguida, o pessoal que fazia o programa de esportes da ZYU-7 Rádio Cultura de Jaguarão, a mais meridional do Brasil, convidou-me para integrar a Equipe U7. Inicialmente os meus comentários eram lidos ou pelo Cláudio Ely Rodrigues ou pelo Alcyr Riccordi, o Gaita, e eu só me animava a falar na latinha quando anunciavam meu pseudônimo Abel Kaur para a saudação inicial, fazendo-a numa voz exageradamente impostada  –  Senhoores e senhooras… desportiiistas em geral…  queeeiram aceitar… o meu boa noite cooordial!!!!!
Naquela época, o microfone era colocado num pedestal que se situava no centro do estúdio e os speakers atuavam de pé em redor do mesmo, não havia mesa nem cadeira. A turma queria porque queria que eu lesse de viva voz os comentários e então começaram a passar-me algumas fichas dos reclames para dizer e desencabular de vez. Antes eu já fazia algumas intervenções quando eles me solicitavam – o que você recomenda Abel Kaur, para entorses e luxações? – e saía no capricho – GE-LOL-LOL!
O Gaita era atleta, goal-keeper de segundo team e lutador de catch-as-can, acrobata, e se punha a plantar bananeira logo que eu dizia alguma coisa na latinha e me obrigava a conter o riso desesperadamente. Foi quando eu lia um reclame dum creme dental e surgiu-me a dúvida em pleno ar – não esqueçam: para ter um sorriso bonito, não deixem de usar o creme dentri… dentri… dentri… – Ainda bem que me socorreu o Cláudio – perdão, caros ouvintes, quebrou o disco, não deixem de usar o creme dentifrício…
Passado algum tempo estudando em Porto Alegre, retorno a Jaguarão em 1959 e o meu primo Anysio convida-me para assumir a gerência do Jornal A Folha, pau para toda obra, redator, diagramador, tipógrafo, cobrador, relações públicas, tudo comigo. Então me preparava para o vestibular de Engenharia na UFRGS e tive de planejar as coisas da melhor forma possível. Novamente como corresponde da Folha da Tarde, de Porto Alegre, até me pediram para lançar em Jaguarão o concurso da Mais Bela Gaúcha.
Rotina já estabelecida convido o meu amigo Flávio Brum para fazer os comentários dos jogos de futebol que ele assinava simplesmente como Flávio e me pedia sigilo para que não lhe revelasse, ninguém mesmo se dava conta. Ele chegou até a comentar uma partida onde atuou no Navegante F.C. como half esquerdo. Já nessa época quem fazia o programa de esportes da Rádio Cultura era o Jara Nunes, que irradiava as partidas, e o Paulinho Azevedo, como repórter de campo. Eles andavam cabreiros tentando descobrir quem era o Flávio que escrevia em A Folha, indagavam-me e eu vinha de arma secreta.
Lá pelas tantas, o Jará pediu-me para colaborar com o programa deles, formulando perguntas para entrevistas na sua mesa redonda (agora já tinham mesa e cadeiras). O Paulinho Azevedo era quem fazia os comerciais e o Jara e eu atuávamos conversando com o convidado. Até que, certo dia, os dois deixaram-me sozinho com todas essas tarefas. Aí eu me tranco no estúdio e vou entrevistar Pedro Brechane, o Pedrinho Cachorro que jogava no Esporte Clube Cruzeiro do Sul. De cara, convido-lhe para que se coloque o mais a vontade possível, pois o nosso bate-papo ficaria só entre nós e o povo. Assim, estouramos o horário da programação e eu me vinguei dos ausentes.
 


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