Editora Insular lança Nascidos para perder

Publicado em: 29/03/2012

O livro, mais que a história do Estadão, expõe sua tendência para a conspiração, e a derrota. Como você vai comprovar, o Estadão não é mais o tal. Tanto que os colegas da nova geração, quando querem desnudar a empáfia dos jornalões, não se lembram dele. A última brincadeira foi com a Falha de S. Paulo.

Palmério Dória

Todo empreendimento humano segue a lógica do ciclo vital: nasceu, já começa a morrer. Não estamos a contar novidade. Morrem fábricas, bancos, escolas, casas comerciais, nações, impérios – e jornais. Aos 74 anos, morreu em 1975 o Correio da Manhã; o Correio Paulistano aos 109 anos, em 1963; e mais recente finou-se a versão em papel do Jornal do Brasil, aos 119 anos. Tal como acontece com os seres, alguns jornais vivem mais, outros menos, de acordo com o que determina seu DNA, sua fonte de alimentação, seu comportamento.

Diz o povo que se morre ou de morte morrida ou de morte matada. O que impressiona na trajetória do Estadão é a persistência da família Mesquita em erros administrativos, escolhas políticas desastrosas, bem como a assiduidade com que perdem praticamente todos os “bondes da história”.

Dos bondes perdidos, o mais clamoroso foi talvez deixar a Folha empunhar sozinha a bandeira das “Diretas Já” em 1984. Dos erros administrativos, campeão foi mudar do centro da capital paulista para a várzea do Tietê, o que fez o jornal pela primeira vez não chegar às bancas por causa das enchentes de janeiro de 2010.

Apostam em Getúlio, perdem; apostam contra Getúlio, perdem. Jogam todas as fichas no movimento constitucionalista de 1932, e perdem feio; apostam no golpe de 1964, e perdem.

Para resumir, quando este livro é concluído, acabam de apostar contra Dilma Rousseff, eleita primeira mulher presidente do Brasil.

Os Mesquitas parecem o avesso de Deus: de hora em hora, a família piora. Chegando ao sesquicentenário, o jornalão tropeça nas pernas. Nascidos para Perder conta como o Estado chegou a esse estado.

O Autor:

Mylton Severiano, paulista de Marília, onde concluiu o ensino médio e um curso de música de seis anos, passou por inúmeras redações de jornais, revistas e telejornais, antes de se tornar free-lancer e dedicar-se a criar peças para campanhas eleitorais e a escrever livros. Publicou, entre outros, Se Liga! – O livro das drogas (Record) e a biografia Paixão de João Antônio (Casa Amarela). Ao concluir este livro em 2011 estava gravando um cd com músicas suas e em parceria com Katia Reinisch e Palmério Dória.

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *