Editores e artistas de Florianópolis expõem recorte da produção local na feira de arte impressa Parque Gráfico

Publicado em: 24/03/2016

Primeira edição do evento reunirá participantes de todo o Brasil na capital catarinense entre os dias 13 e 15 de maio

Trabalho-Crédito-Ivan-Jeronimo

Enquanto algumas pessoas acreditam que a Era Digital veio para aniquilar o papel, um evento inteiramente dedicado à arte impressa pretende mostrar que o mercado de livros, revistas, zines, catálogos e outros objetos montados sobre o tradicional dos suportes segue bastante vivo _ e disposto a crescer.

Nos dias 13 e 15 de maio, a Parque Gráfico reunirá expositores de várias regiões do Brasil na capital catarinense, mais precisamente no Museu da Escola, para uma amostra do que vem sendo produzido na área durante os últimos anos. Um dos convidados especiais do evento é o artista gráfico Ivan Jerônimo, para quem a feira acompanha uma tendência recente das artes visuais em SC.

– De uns anos pra cá vejo uma movimentação muito forte nas artes visuais em Florianópolis e nas cidades ao redor, independentemente de ter ou não apoio oficial. Acho que tanto os artistas como os espaços expositores estão abrindo caminhos que acabam por se bifurcar ou estimular outras iniciativas. Pra mim, o Parque Gráfico, pelo planejamento e organização, vai ser uma bela oportunidade para o público conhecer um recorte das artes visuais daqui e do país inteiro e, pros artistas, de ampliar o público – afirma Jerônimo, que irá expor seu trabalho em caligrafia.

Para Pedro Franz, um dos principais nomes dos quadrinhos no Brasil e que também participa da estreia da Parque Gráfico como convidado da organização, a expectativa é de que o evento reúna bons trabalhos e que possa ganhar novas edições.

– Olhando a listinha de expositores dessa primeira edição, dá pra perceber como o pessoal da feira se esforçou em divulgar e convidar gente bacana de outros Estados para participar. Seria ótimo ver a Parque Gráfico se consolidar no calendário de feiras do país, e que nas próximas edições mais artistas, quadrinistas e editoras independentes se interessem em vir pra cá expor suas publicações _ salienta Franz.

Periodicidade incerta

Em novembro do ano passado, uma feira na mesma linha da Parque Gráfico levou centenas de pessoas ao Palácio Cruz e Sousa: a Flamboiã, idealizada pela editora da Miríade, Gabi Bresola, contou com expositores de pelo menos sete capitais brasileiras, mas o grande destaque foram os trabalhos de Florianópolis.

_ O surgimento da Parque está acontecendo em paralelo a um movimento que se espalha pelo Brasil. Volta e meia estão pipocando novas feiras. Isso é um estímulo para que mais pessoas desenvolvam seus trabalhos,e,consequentemente, surjam mais editores e artistas gráficos. Em Florianópolis já tem um circuito com vários tipos de pessoas que pensam e pesquisam a arte impressa, as publicações de artistas e os múltiplos.

Para Gabi, eventos como esses são muito estimulantes tanto para promover o contato com o público, quanto para proporcionar o surgimento de novos editores e artistas gráficos. A preocupação, no entanto, é tentar garantir a periodicidade de tais feiras _ a Parque Gráfico, por exemplo, tem patrocínio do edital de inventivo à cultura Elisabete Anderle, do Governo de Santa Catarina, que não foi lançado este ano.

– O edital é um dos motivos de podermos ampliar a programação com espaços de formação e trazer pessoas de fora. O subsídio público, nesse caso, é fundamental. Preocupante é pensar na permanência de eventos culturais quando não há permanência de políticas públicas para a cultura.

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