Elegantemente Portuguesa

Publicado em: 19/02/2020

Quantas vezes já falamos a respeito de alguém: “Viu que classe?”. Quando aplicada à pessoas a palavra – classe – quer dizer que elas têm bons modos, um comportamento admirável, uma maneira de falar e agir que encanta.

O amigo dicionário dá outras definições para essa palavra em seu sentido denotativo, literal. Mas ela é elegante, distinta, exigente e ao mesmo tempo compreensível. Distinta é uma boa definição, pois significa: clara, educada, ínclita, separada etc. Língua Portuguesa, ela possui o que podemos chamar de 10 belas qualidades e outras 4 essenciais particularidades que a permitem viver, evoluir, e ela nos leva junto nesse percurso. Ela também admite que ao longo do tempo nós também como povo ou sociedade façamos contribuições com sua existência e evolução.

A Língua Portuguesa se apresenta com suas 10 qualidades que até podem nos deixar um tanto confusos, mas não é verdade que a maioria de nós também somos complicados? Não é verdade que se costuma dizer que as mulheres são difíceis de entender? Certa vez ouvi o cantor Fábio Júnior dizer em uma entrevista algo sobre as mulheres, isso faz uns 20 anos: “A vida toda tentei entender as mulheres, só agora, aos 45 anos é que entendi, as mulheres não nasceram para ser entendidas e sim para ser amadas”. Ah, Fábio Júnior, se saiu bem, não sei se convenceu. Acredito que podemos ir além das palavras do grande cantor e namorador quanto à Língua Portuguesa. Ela deve ser primeiro amada, e depois compreendida. Mas se preferir primeiro conhecê-la para a compreender irá acabar tendo um caso de amor com ela. E mesmo que o leitor seja casado ou casada isso não será considerado infidelidade. Mas não pense que conseguirá esconder ou disfarçar, estará na cara, esse – na cara – na linguagem conotativa, àquela que foge ao literal, ao dicionário. Estará, melhor dizendo, em sua boca, palavras, comentários e observações; jamais passará despercebido quando tiver um caso de amor com ela. A Língua Portuguesa tem essas 10 qualidades, cada uma é uma classe, por isso ela tem muita classe: verbos, substantivos, adjetivos, advérbios, conjunções, preposições, numerais, pronomes, artigos e interjeições.

Uma pessoa que faz bom uso dela demonstra elegância, independente do seu grau de escolaridade ou condição financeira, e isso é possível a todos.Note essas classes. Promove ações com: verbos. Nomeia os seres animados e inanimados com seus: substantivos. Qualifica tudo, o que inclui nós mesmos com seus: adjetivos. Modifica verbos, adjetivos e advérbios com: advérbios. Quando necessário substantivos são substituídos pelos: pronomes. Classifica em números ou quantidade de pessoas e em ordem através dos: numerais. Nos direciona se falamos de algo definido ou se não há definição antecedendo os substantivos com: artigos. Quando há necessidade de conexões de vários sentidos entre dois termos de uma oração (quando não há verbo temos uma frase, se houver um ou mais temos uma oração, simples ou composta), enfim, para estabelecer essa conexão temos: preposições. Se precisamos usar palavras para ligar ou unir duas orações ou termos de uma mesma oração, temos: conjunções. Existem momentos na vida em que tudo que precisamos são de palavras que exprimem nossas emoções, sentimentos, sensações, estados de espírito etc, usamos: interjeições.

A Língua Portuguesa, assim como suas colegas, possui sua gramática; que nada mais é do que – estudo dos elementos de uma língua, sons, formas, palavras, construções etc. A gramática se divide em 4 partes: Fonologia (estudo dos sons de uma língua, capacidade de distinguir significados). Morfologia (estudo das estruturas e formas das palavras). Sintaxe (estudo da organização das palavras em uma frase ou oração). Semântica (estudo dos significados das palavras).

Ela nos faz certos pedidos que devem ser vistos com seriedade, pois há palavras que são usadas, mas não existem em nosso vocabulário. Isso rebaixa a língua e quem as pronuncia. Por exemplo, palavras que não existem e não devemos falar nem escrever: Menas e seje. Claro, não acrescentar letras, três e não treis. Dez e não deiz. Jesus e não Jesuis. Vocês e não voceis. Ela não é tão exigente, nos permite dizer catorze e quatorze; porcentagem e percentagem. Ainda nos passa lições que tornam elegante nossa fala. Por exemplo: “Minha esposa não veio porque estava meio cansada. Então lhe servi meia taça de vinho e ela ficou em casa”. Meio cansada, advérbio, classe invariável. Meia cansada seria metade, um adjetivo. Meia cansada, do lado direito ou do esquerdo, da cintura para baixo ou da cintura para cima? Assim como, meia taça de vinho, metade da taça, adjetivo, metade. Então: “Meio cansada, meio indisposta, meio irritada” Mais uma: “No evento deste ano havia menos mulheres do que no ano passado”. Não existe – menas, mesmo em referência ao gênero feminino: Menos casas, menos mulheres, menos meninas. E claro, os verbos impessoais, que não têm sujeito, ficam sempre no singular: “Faz 25 anos que sou casado”. “Já faz 10 anos que não visitava esse lugar”. “Houve muitos acidentes no carnaval passado”. “Havia muitas pessoas no evento”. Nada de: fazem, houveram ou haviam, quando nos referimos ao tempo passado, decorrido.

Ponto importante: 90% do que comunicamos é falado, apenas 10% é escrito. E não falamos exatamente como escrevemos. Poucos de nós falam: Perigo, e sim, pirigo. Xícara – xícra, fósforo – fósfro, abóbora – abóbra. E aí vai: “Eu tive em Curitiba”. Não, ela nunca foi minha. Tive, verbo ter, possuir. “Estive em Curitiba”. E só mais essa: “Tem uma pessoa na porta”. Tem é do verbo ter. “Há alguém à porta”.

Ninguém deve ter vergonha de falar e escrever corretamente. Feio e impróprio é corrigir os outros ou achar que quem não fala corretamente é um ignorante. Nenhum de nós acerta sempre. Não ficarei surpreso se encontrar erros neste texto, mesmo depois que o corrigi. Então, que tal um caso de amor que nos fará diferenciados e elegantes? Ela não comete infidelidade, mas está disposta a namorar conosco. Ela é Elegantemente Portuguesa!

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