Eleições e o meio ambiente

Publicado em: 08/08/2012

selo-apontamentosPodemos dizer que três aspectos interessantes se destacam, neste estágio da vida nacional ao se abordar as eleições e o meio ambiente. Pela efervescência natural, fruto da intensificação dos debates, há hoje atenção maior dos eleitores e dos candidatos no que se relaciona ao meio ambiente. Neste ano houve um acréscimo importante no papo ambiental com a Rio+20 e o novo Código Florestal. Apesar de tudo, dá para dizer que a consciência sobre o tema cresceu, mas se haverá resultado prático é outra conversa e o futuro vai dizer. Em decorrência desse aumento de consciência e de vários outros fatores, os denominados “ambientalistas” estão muito mais maduros, mais realistas, mais com os pés no chão.

Alguns até chegaram ao exercício do poder e descobriram que o furo da questão é mais embaixo (nada como um dia depois do outro para compreender que a vida é mais complicada do que meu voluntarismo!). Outros, na continuidade de seus estudos, tiveram a grandeza de reconhecer que foram “apocalípticos”, como é o caso do emblemático James Lovelock e isso faz com que a razão entre em campo. Parte de outros, especificamente dos órfãos da utopia derrubada pelo Muro de Berlim (o lado de lá estava tão ruim quanto o lado de cá), deixou de lado a lengalenga ideológica o que pode ajudar na compreensão da questão ambiental e reafirmar que é de responsabilidade impostergável de cada e de todos.

Segundo aspecto: é provável que os prefeitos que assumirão em janeiro de 1913 sejam os últimos tocar de barriga, impunemente, as responsabilidades com a legislação ambiental. O tempo dirá, mas é inegável que serão mais fiscalizados. O quadro geral mostra que o poder público, em regra, sempre encontra brechas para passar ao sucessor a solução de problemas crônicos complexos ou caros. Pior, relutam em implantar estrutura administrativa de gestão ambiental capaz de responder com efetividade aos desafios do momento.

Vejam o caso da lei de resíduos sólidos, por exemplo. É ilustrativo que a grande maioria dos municípios brasileiros ainda não tenha elaborado seu Plano de Gestão de Resíduos Sólidos, dentro do prazo que expirou no inicio de agosto. O plano é fundamental para indicar como será feito o manejo do lixo em cada localidade e sem tal planejamento o município fica impedido de receber verba federal para limpeza urbana. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, até o final de julho foram feitos só 47 pedidos de verba para construção dos planos, “entre solicitações de administrações municipais e estaduais!.

O trágico nisso tudo é que enquanto os municípios cruzam os braços o problema do lixo se agrava de forma descomunal. Conforme a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), no ano de 2010 a produção de lixo no Brasil cresceu seis vezes mais do que a população, “enquanto que a quantidade de resíduos com destinação inadequada aumentou quase dois milhões de toneladas, em relação a 2009”.

Terceiro aspecto: avanços tecnológicos apontam sendas alternativas com novos processos e equipamentos (economizando água, energia, matéria prima) e grandes empresas, por exemplo, mudam procedimentos ajudando barbaridade para aumentar o compromisso e nossa esperança com as mudanças inexoráveis que a nova realidade ambiental impõe.

Ivaldino Tasca, jornalista | [email protected]

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *