Eles são doidos demais

Publicado em: 26/10/2009
Detalhe da capa do primeiro Lp do Grupo

Detalhe da capa do primeiro Lp do Grupo

Você conhece alguém arrependido das doidices da juventude? Pode ser que sim, pode ser que não. Mas, com certeza, você conhece uma pá de gente que vive roendo as unhas pelas doidices que deixou de fazer. Semana passada, na matéria Vou Botá meu Boi na Rua, falamos de um grupo de jovens, vindos de várias cidades do interior e aqui se juntaram para fazer doideira que de tão doidas e irreverentes resultaram na criação de um grupo musical que sacudiu a Ilha e boa parte do Continente e continua alimentando nossa memória. Antes de ler mais, se lhe apetece ouça Baião de Milhões, um tema de Álisson Mota, com ele mesmo fazendo voz e violão, mais o vocal de Cristaldo e Marcelo, acompanhados pela sanfona do Cristaldo, a bateria do Chico, a percussão do Frazê, os apitos do Marcelo, Chico e Álisson, as palmas de todos e o baixo do Marcelo. É a primeira faixa do LP de que falamos no texto a seguir.

Agora que você ouviu a música, vai bem um pouco de história. Primeiro, um pequeno comment: se você ainda não observou, na foto que abre esta matéria, logo abaixo do título do LP aparece uma dedicatória. Ela foi feita pelo Adalberto (o resto do nome não consegui decifrar) que ofertou o disco para a sua amada com esta pérola de declaração “Quando o pintor conseguir pintar o barulho de uma pétala caindo, eu deixarei de te amar”. Já viu, Né? Ele está amando até agora…

Esse foi o disco de estréia do Grupo Engenho. Foi bolado, rebolado, pensado, criado, ensaiado, produzido, gravado, pagado e comercializado pela moçada do Grupo Engenho. E com um detalhe: tudo legal, com registro e pagando o fisco, pois eles criaram uma sociedade empresarial (firma) com razão social, nome fantasia, logotipo (ou logomarca como se dizia naquela época), endereço, telefone e CNPJ, que também naqueles tempos se chamava CGC, como você pode ver aí abaixo.

O grupo eram dois que virou um, com uma vantagem: um maior que a soma dos dois. Essa parte da história eles mesmos contam na contracapa do LP. Diz o seguinte:

“Nos idos de 1976/77, muitos dos ligados ao movimento estudantil dedicavam-se a alguma atividade específica, seja na área da literatura, das artes plásticas, do teatro, da música etc. O Grupo Engenho foi criado nessa época com a participação de Luiz Ekke, Marcelo Muniz e Chico Thives.

Foram muitos os acontecimentos. O Grupo Engenho montou o show musical “Misantropia”, com músicas do grupo e com experiências de sombras e expressão corporal. O Grupo VZero apresentava seu show em Circuito Universitário pelo Estado, juntamente com a peça “Mesa Grande”, de Clécio Espezin, sendo também responsável pela trilha sonora da mesma. Com a referida peça participou ainda do Projeto Membembão.

Nesse ínterim vinha para a capital o sanfoneiro Cristaldo. Era uma época em que a música brasileira começava a gerar novos valores em oposição à invasão de enlatados estrangeiros. Nesse movimento incluíam-se estes dois grupos, assim como o jovem sanfoneiro.

Em 1979, após várias transformações, os grupos estavam por se desfazerem, Marcelo e Chico Thives, do Engenho, Álisson e Cláudio Frazê do VZero e Cristaldo acabaram por se identificar numa mesma linha. Embora tenha surgido uma nova proposta, conservou-se o mesmo nome por este vir ao encontro da filosofia do novo grupo.

Começou então um trabalho baseado na música popular com incursões pela música catarinense, surgindo daí o show e disco “Vou Botá meu Boi na Rua”.

O fato dos seus membros serem procedentes do interior: Marcelo, de Lages; Chico, de São José; Frazê, de Rio do Sul; Cristaldo, de Urubici (Santa Catarina); e Álisson, de Cianorte (Paraná), trouxe uma bagagem positiva que aliada às pesquisas na Ilha de Santa Catarina, fortaleceu a característica musical do grupo.

O próprio grito “Vou Botá meu Boi na Rua” denota, ao mesmo tempo, uma homenagem ao boi-de-mamão já à beira do esquecimento, e um grito de revolta, de inconformismo”.

O inconformismo era de tal ordem que o texto terminava assim:

NOSSA SENHORA DO DESTERRO, 1981.

A ficha técnica do disco e outros detalhes referenciais serão mencionados com a divulgação das demais músicas do LP.

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *