Emerson Fittpaldi

Publicado em: 14/10/2014

Assisti, recentemente, “Rush: no limite da emoção” (Rush, EUA, 2013), que conta a história da rivalidade entre Niki Lauda e James Hunt na Fórmula 1.

O filme lembra que Emerson Fittipaldi foi a “tábua de salvação” da carreira de Hunt que, sem equipe, soube da saída de “Rato” da McLaren. Na reunião em que ele suplicou pela vaga, membros da equipe se referiram ao brasileiro e à recém-criada escuderia Copersucar de forma rancorosa, alegando que ele havia abandonado a equipe. Depois, um ator com corte parecido com o dele
aparece em algumas cenas, mas sem menção.

O filme é ótimo, com os atores em perfeita sintonia. Mas não é disso que quero falar:

Emerson não foi o primeiro piloto brasileiro a correr na Fórmula 1. Chico Landi foi o pioneiro, nos anos de 1950. No entanto, ele acumula algumas marcas impressionantes.

Chegar à Fórmula 1 em 1970, aos 22 anos, foi uma delas. E marcou pontos já na segunda prova, com uma Lotus!

Como dizem por aí, não basta ser competente, arrojado ou saber enxergar e aproveitar oportunidades: é fundamental ter sorte, ainda mais naqueles tempos em que morriam ao menos dois pilotos por ano. E Emerson provou que reunia todos esses atributos quando, ao destruir o carro do primeiro piloto, Jochen Rindt, cedeu o seu ao então líder do campeonato. O austríaco morreu na corrida, num acidente…

Isso poderia ter “mexido com a cabeça”, mas ele que desde cedo sempre foi considerado um piloto “cerebral”, no retorno às pistas, após o “luto” da equipe, venceu sua primeira corrida, tornando Rindt o primeiro campeão póstumo da história da F1.
Décimo colocado em 1970, no ano seguinte foi 6º para, em 1972, tornar-se o primeiro brasileiro campeão mundial! E também o mais jovem, até então, com apenas 24 anos.

Junto com o “escocês voador”, Jackie Stewart, protagonizou um dos duelos mais técnicos da categoria. Foi 2º, em 1973, e novamente campeão em 1974, agora na McLaren. Seu sucesso foi fundamental para a vinda de um GP para o Brasil, e inspiração para todos os pilotos que o sucederam.

Bicampeão aos 26 anos, grande “acertador” de carros e numa equipe competitiva, Emerson tinha tudo para tornar-se o melhor piloto da história! Piquet foi campeão aos 29 e bi aos 31. Senna, aos 28 e 30.

Emerson era extremamente profissional, mas não era obcecado. Tanto que, surpreendendo a todos, depois da 2ª colocação, em 1975, resolveu abandonar a McLaren, no ano seguinte, para pilotar na primeira escuderia de F1 brasileira.

Quem se deu bem foi James Hunt, campeão pela equipe inglesa em 1976, mesmo ano em que Niki Lauda, seu principal rival, sofreu gravíssimo acidente em Nurburgring, numa corrida que ele não queria correr, pois chovia muito.

Aliás, algo semelhante ocorreu com Emerson em Montjuic, na Espanha, em 1975. Só que o motivo era outro: a insegurança do circuito. Emerson recusou-se a competir na corrida, que terminou antes da metade, em razão de acidente que matou 5 pessoas!

A vida de piloto-empresário não foi das melhores:

Entre 1976 e 1982, não passou do 10º lugar, mas conquistou um 2º lugar no GP do Brasil de 1978 e lançou Keke Rosberg, que seria campeão em 1982, pela Williams.

Problemas financeiros causaram fim da equipe e Emerson, aos 38 foi para a Indy.

Venceu num “oval” já no primeiro ano, em 1984. Em 1989, sagrou-se o primeiro brasileiro campeão da categoria, com direito a vitória na mítica Indianápolis! Só parou aos 50 anos, após sofrer grave acidente.

Até onde ele poderia ter chegado na F1? Superaria Schumacher, Fangio ou Vettel?

Bem, não se ganha o que não se disputa…

Independentemente disso, em minha opinião Emerson Fittipaldi é o melhor piloto brasileiro, por tudo o que fez: pelo pioneirismo, pelos resultados, pela versatilidade, pela época em que competia… No entanto, não lhe dão o merecido reconhecimento. Talvez por não ser bom de “marketing” pessoal… Talvez porque desistiu de querer ser o melhor, frustrando o público que ele ajudou a criar… Talvez por ter sobrevivido…

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