Enchendo linguiça

Publicado em: 06/04/2013

“Encher linguiça” era mais que uma prática no rádio mais antigo; na maioria das vezes uma necessidade. Os comentaristas esportivos, bons de improviso, sempre foram grandes “enchedores de linguiça”. Um comentário de quatro ou cinco minutos no intervalo de um jogo de futebol, poderia chegar a dez ou quinze minutos. Bastava um atraso no início do jogo, para que o comentarista fosse avisado de que era hora de encher linguiça. Falar muito, sobre o tema em foco, amontoando palavras, dizendo coisas que muitas vezes não tinham nenhum interesse e fazer o tempo passar. Isso era encher linguiça, e ainda é.

A televisão moderna, essa que nós assistimos quase todos os dias, está enchendo linguiça, como o rádio nos velhos tempos.

A Globo News, utiliza esse recurso com grande frequência em seus jornais. Recentemente a apresentadora do Jornal das 6, ficou enchendo linguiça com detalhes sem nenhuma importância sobre um acidente com ônibus que caiu de um viaduto. Perguntava ao repórter que falava do local, detalhes que nada acrescentavam à notícia. Qual a altura do viaduto, os socorristas estão desvirando o ônibus, e assim foi.

Na mesma Globo News é comum à apresentadora encher lingüiça, numa demonstração de que é preciso tornar muito mais longa que o necessário, qualquer matéria, mesmo aquelas sem nenhum interesse de quem está distante do local do evento. Um ônibus que cai de um viaduto pode ser de grande interesse para quem mora no Rio e nenhum para um catarinense. Um trem que sai dos trilhos na Índia não desperta tanto interesse quanto o aparecimento de um leão marinho no calçadão de Balneário Camboriu.

A maioria dos jornais de TV faz do noticiário policial a base do programa.  Quando surge algum crime, como o estupro de uma turista no Rio de Janeiro, a notícia ganha destaque como se tivesse ocorrido um  tsunami em Copacabana.

Mas não é só na emissora carioca que isso ocorre. Em Curitiba a TV inventou um apresentador para encher linguiça com um Estúdio Móvel, onde se focaliza um problema da cidade.  O repórter passa grande parte do tempo do jornal enchendo linguiça com entrevistas ruins, informações repetidas e fazendo o tempo passar. No mesmo programa, a Previsão do Tempo ganha duas inserções, com detalhes que nada acrescentam ao principal.

Telespectadores mandam e-mail, pedindo informação sobre o tempo em sua cidade. Um quer saber se pode fazer churrasco ao ar livre no domingo, outro quer saber se pode ir à praia no sábado. A Moça do Tempo toma ares de especialista respondendo, com muitos detalhes e largos sorrisos.

Difícil dizer o que está acontecendo com nossos programas de notícias na TV; há falta de matérias, falta de profissionais, ou o que?

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