Entrada franca

Publicado em: 17/06/2012

Essa expressão indica que a entrada num local ou evento é gratuita. O permanecer e o sair, no entanto, são, em alguns casos, incógnitas. A entrada num parque de diversões pode ser franca. No entanto, para usar algum brinquedo ou equipamento é preciso pagar. E para induzir o entrante a isso vale música, cor e muita neurolinguística, profissional ou amadora. Não é muito diferente em cassinos, feiras promocionais ou qualquer outro local que anseie por consumidores, adeptos, enfim, receita: As pessoas entram em meio a “sejam bem vindos!”, bebidinhas e guloseimas para, logo em seguida, serem abordadas. O incauto mal observa algo e logo alguém já se aproxima para “colocar-se à disposição” ou fazer perguntas, partindo do princípio de que, se você entrou lá é porque tem algum interesse envolvido.

Como dizia o gato Katnip, sempre que o rato Herman aplicava sua retórica, no antigo desenho animado, esse argumento: “Tem sua lógica!”.

Mas, supondo que a resposta seja: “Obrigado, mas eu só estou olhando.”, nem sempre isso é acatado, com o interlocutor passando a mencionar as vantagens palpáveis ou intangíveis do produto, usando argumentos que começam dóceis e simpáticos, para terminarem psicologicamente agressivos, tentando quebrar resistências ou tirando proveito de fragilidades demonstradas ao longo da conversa. Alguns chegam a questionar a inteligência, a coragem e, até, a conduta moral do visitante gratuito, na tentativa de levá-lo a aceitar que não pode viver ou morrer sem o que vendem.

Se isso ainda não for o bastante, outros podem se juntar ao vendedor, reforçando as múltiplas “vantagens” inerentes; relatando fatos positivos de quem tem e negativos, de quem não tem ou, pior, teve a oportunidade de ter e desperdiçou. Drama!

A entrada pode ser franca, mas a estada e a saída nem sempre!

A liberdade de acesso pode ser apenas um chamariz para o assédio psicológico e moral, “técnicas de marketing” cada vez mais mal utilizadas e, em muitos casos, enganosas.

Alguns indivíduos, diante dessa indução massiva, mas conscientes de suas limitações financeiras e prioridades maiores, chegam a sair deprimidos desses acessos “francos”, em que a “franqueza” visa outros objetivos e não necessariamente seu bem ou felicidade.

É certo que, quando se entra predisposto, a conversa é mais curta e o negócio é realizado sem maiores delongas, pois interessa às duas partes. Entretanto, qualquer que seja o caso, o problema passa a ser o pós-venda, inclusive as garantias, pois as “letras miúdas”, nem sempre “escritas”, podem criar vínculos dos quais o desembaraço é difícil, sujeito, inclusive, a constrangimentos públicos. A entrada foi franca, mas a permanência ou a saída podem custar muito caro, com sequelas traumáticas e duradouras.

Felizmente, o Código de Defesa do Consumidor está aí, para resguardar os direitos dos cidadãos, embora sua abrangência seja limitada e ainda não aplicável, em certos casos.

Por isso, há que se desconfiar de anúncios e cartazes com a menção “ENTRADA FRANCA”, sobretudo em relação a coisas que são, por princípio, de graça, não sei se entendem a abrangência de meu comentário:

Entrar até pode ser gratuito. Mas, sair…

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